Um bilhete da Mega-Sena premiado em R$ 29 milhões se tornou o centro de uma disputa judicial entre o proprietário de uma casa lotérica e uma ex-funcionária em Sinop, no Mato Grosso.
O caso envolve uma aposta vencedora do concurso realizado em agosto de 2023 e ainda aguarda decisão da Justiça.
Enquanto o dono da lotérica tenta comprovar que o prêmio pertence ao estabelecimento, a ex-operadora de caixa e o marido respondem a um processo por furto qualificado.
A primeira audiência para discutir o destino do dinheiro está prevista para fevereiro de 2027.
Como começou a disputa
Segundo a investigação, o caso teve início no dia 12 de agosto de 2023, durante o expediente da lotérica onde Clarice Simon trabalhava.
Na ocasião, uma aposta apresentou falha na impressão e ficou parcialmente danificada.
Conforme os relatórios da investigação, Clarice emitiu um novo bilhete com os mesmos números para entregar à cliente, que posteriormente recebeu normalmente sua parte da premiação.
O comprovante com defeito foi guardado em um cofre desativado, utilizado pelos funcionários como armário.
Naquela mesma noite, o concurso da Mega-Sena distribuiu R$ 116 milhões entre quatro apostas vencedoras: uma em Fortaleza (CE), uma em Uberlândia (MG) e duas em Sinop (MT), ambas registradas na mesma lotérica.
Bilhete foi retirado após o sorteio
Dois dias depois, na segunda-feira seguinte ao sorteio, Clarice voltou ao trabalho e retirou o bilhete danificado para conferir os números junto com outra funcionária.
Imagens das câmeras de segurança registraram o momento em que as duas verificam que o comprovante também continha as seis dezenas sorteadas.
Poucos minutos depois, Clarice deixou a lotérica acompanhada do marido, Cladecir Picoli, e os dois seguiram para uma agência da Caixa Econômica Federal, onde apresentaram o bilhete premiado, informando que a aposta havia sido feita por ele.
Justiça bloqueou pagamento
A Caixa informou que abriria procedimento para verificar a autenticidade do comprovante, já que o bilhete apresentava danos na impressão, e estabeleceu o prazo regulamentar para pagamento do prêmio.
Porém, antes que o dinheiro fosse liberado, a Justiça determinou o bloqueio dos R$ 29 milhões.
A medida ocorreu após o proprietário da lotérica registrar uma queixa-crime, alegando que o bilhete havia sido retirado de forma irregular do estabelecimento.
Em setembro de 2025, Clarice Simon e Cladecir Picoli passaram a responder como réus por furto qualificado.
Ex-funcionária afirma que pagou pelo bilhete
A defesa da ex-operadora sustenta que ela assumiu o custo da aposta danificada, prática que, segundo afirma, era comum na lotérica.
De acordo com Clarice, sempre que havia diferença de caixa ou algum bilhete apresentava defeito de impressão, os próprios funcionários faziam o ressarcimento ao estabelecimento.
A versão também é defendida por Vani Porfírio, funcionária responsável pelo fechamento do caixa na época, que afirmou que Clarice pagou pelo comprovante.
A regulamentação da Caixa prevê que bilhetes com defeito de impressão de baixo valor não são ressarcidos pela instituição, ficando o prejuízo sob responsabilidade da casa lotérica.
Proprietário contesta versão
Já o proprietário da lotérica afirma que nenhum funcionário poderia se apropriar de bilhetes com erro de impressão, independentemente do valor da aposta.
Segundo a defesa do empresário, as normas operacionais da Caixa determinam que comprovantes defeituosos não podem ser reutilizados ou apropriados por empregados da unidade.
Questionada sobre o caso, a Caixa Econômica Federal informou que não comenta processos judiciais em andamento e afirmou apenas que cumpre as determinações da Justiça em relação ao pagamento de prêmios.
Julgamento está previsto para 2027
O Ministério Público denunciou o casal com base no inquérito policial que apurou o caso.
Apesar disso, a promotoria manifestou entendimento de que o prêmio não pertence formalmente nem à ex-funcionária, em razão da acusação de furto, nem ao proprietário da lotérica.
A definição sobre quem terá direito aos R$ 29 milhões deverá ocorrer durante as audiências de instrução e julgamento marcadas pelo Tribunal de Justiça para fevereiro de 2027.
