Bolsonaro pede que STF suspenda decisão de Moraes sobre interferência no caso Ribeiro

No pedido, o presidente argumenta que inquérito está sob responsabilidade da ministra Cármen Lúcia e que há duplicidade nas investigações

O presidente Jair Bolsonaro (PL), acompanhado do ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro

O presidente Jair Bolsonaro (PL), acompanhado do ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro | Claudio Reis/Folhapress

O presidente Jair Bolsonaro pediu nesta terça-feira (5) ao STF (Supremo Tribunal Federal) a suspensão da ordem que o ministro Alexandre de Moraes havia dado à PGR (Procuradoria-Geral da República) para que se manifestasse sobre suposta interferência do mandatário na Polícia Federal no caso que apura suspeitas sobre o ex-ministro Milton Ribeiro.

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No pedido, feito por meio da AGU (Advocacia-Geral da União), o presidente argumenta que inquérito que apura eventuais irregularidades no Ministério da Educação está sob responsabilidade da ministra Cármen Lúcia e que há duplicidade nas investigações.

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Bolsonaro afirma que o pedido de suspensão deve ser levado a julgamento colegiado do STF –o que normalmente não aconteceria neste mês, já que o tribunal está no recesso de meio do ano e só volta às atividades regulares em agosto.

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Moraes determinou a manifestação da PGR no último dia 28, no âmbito do inquérito que apura desde 2020 suspeitas de interferência do presidente na Polícia Federal, após o pedido de demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça.

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A decisão de Moraes atendia a um pedido feito pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que requeria a adoção de medidas em relação ao caso Milton Ribeiro.

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O ministro do STF também é relator de outros inquéritos que têm Bolsonaro como alvo.

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Já Cármen Lúcia é responsável por outro inquérito específico sobre as suspeitas relacionadas a Ribeiro, que está sob sigilo.

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O caso estava na primeira instância e voltou ao Supremo depois de o ex-ministro afirmar, em um telefonema interceptado, que Bolsonaro havia dito ter um “pressentimento” de que ele seria alvo de busca e apreensão.
No pedido desta terça, a AGU afirma que o despacho de Moraes autorizou “de maneira implícita que os fatos levantados pelo Sr. Senador da República possam ser escrutinados diretamente no presente INQ 4.831/DF [inquérito relatado por Moraes], a despeito não somente da manifesta ausência de justa causa para a manutenção do inquérito, como também da ausência de conexão entre as matérias”.

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Diz que as suspeitas apontadas por Randolfe já são objeto do inquérito “relatado pela Sra. Ministra Cármen Lúcia, juíza natural para o tema no âmbito do STF”.

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O inquérito que tramita sob a condução de Moraes havia sido concluído pela Polícia Federal em março deste ano. A PF afirmou não haver indícios de que o presidente interferiu à época para proteger aliados e familiares ao trocar o comando do órgão.

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Os investigadores também descartaram uma possível denunciação caluniosa do ex-ministro por acusar o presidente de interferência na PF e iniciar uma das principais crises do governo Bolsonaro.

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A PGR, no entanto, não se manifestou sobre a possibilidade de encerramento ou de pedir continuidade das investigações no inquérito.

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O pedido de Randolfe a Moraes destaca a conversa que Milton teve com a filha e afirma que “os fatos são gravíssimos e merecem, assim como as diversas outras interferências de Jair Bolsonaro na Polícia Federal, investigação célere e a devida punição”.

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“O presidente, por estarmos em um Estado Republicano e Democrático de Direito, não está acima da lei, devendo obediência às normas tanto quanto qualquer cidadão”, diz o senador.

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Milton Ribeiro foi preso preventivamente no último dia 22 e solto um dia depois, após determinação do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região). Também foram presos, entre outros, os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos, ambos ligados a Bolsonaro.

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A defesa do ex-ministro tem dito que ele não cometeu irregularidades e que a prisão foi ilegal.