Câmara aprova multa de R$ 17 mil por doação de comida a sem-teto

Projeto prevê regras tanto para ONGs e entidades quanto para pessoas físicas; PL 445/2023 é do vereador Rubinho Nunes (União Brasil)

Vereador Rubinho Nunes, autor da proposta

Vereador Rubinho Nunes, autor da proposta | Ettore Chiereguini/Gazeta de S. Paulo

A Câmara Municipal de São Paulo aprovou um projeto de lei que prevê multa de R$ 17,6 mil para quem descumprir os requisitos para realizar a doação de alimentos a pessoas em situação de rua na Capital. Essa foi a primeira votação do projeto de lei. 

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O texto estabelece regras tanto para ONGs e entidades quanto para pessoas físicas. Caso seja aprovado em segunda votação, a Prefeitura informou que o texto deve ser analisado pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB).

A Prefeitura de São Paulo também informou que, atualmente, não existe obrigação de Termo de Permissão de Uso (TPU) para entrega de alimentação às pessoas em situação de rua.

Requisitos

O projeto também prevê que o local em que os alimentos serão preparados deverão passar por vistoria da Vigilância Sanitária. Confira determinações previstas no projeto:

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Pessoa física:

Para doar alimentos, as pessoas físicas deverão:

  • Limpar toda a área onde será realizada a distribuição dos alimentos e disponibilizar tendas, mesas, cadeiras, talheres, guardanapos e “demais ferramentas necessárias à alimentação segura e digna, responsabilizando-se posteriormente pela adequada limpeza e asseio do local onde se realizou a ação”;
  • Autorização da Secretaria Municipal de Subprefeituras;
  • Autorização da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS);
  • Cadastro de todos os voluntários presentes na ação junto à SMADS.

ONGs e entidades:

Além dos requisitos descritos acima, as entidades e ONGs deverão:

  • Razão social da entidade registrada e reconhecida por órgãos competentes do município;
  • Apresentação de documento atualizado com informações sobre o quadro administrativo da entidade, com nomes e cargos dos membros e as devidas comprovações de identidade;
  • Cadastro das pessoas em situação de vulnerabilidade social e informações atualizadas SMADS
  • Os voluntários deverão estar identificados com crachá da entidade no momento da entrega do alimento;
  • As documentações apresentadas pelas ONGs e entidades deverão ser autenticadas em cartório ou estar acompanhadas de atestado de veracidade.
 

ONGs e entidades, que entendem que o projeto vai burocratizar o gesto de ajudar quem precisa, criticaram o projeto de lei. O Instituto GAS, ong que auxilia pessoas em situação de vulnerabilidade também se pronunciou em suas redes, com indignação.

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“Agora, além de serem invisíveis para a sociedade, a população em situação de rua deve morrer de fome diante dos nossos olhos.”, escreveu em suas redes sociais.

Nas redes sociais, o Padre Júlio Lancellotti se manifestou.

“Quantas vezes Jesus seria multado por alimentar as multidões famintas?”, questionou o pároco.

Autor queria abrir CPI contra padre Julio Lancellotti

O PL 445/2023 é do vereador Rubinho Nunes (União Brasil),o mesmo que, no ano passado articulou a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o padre Julio Lancellotti.

A proposta foi aprovada em meio a uma maratona de votações, que aprovou 73 projetos na mesma noite. Na véspera, houve um acordo entre as bases do governo e da oposição para que os projetos dos vereadores fossem votados de forma simbólica.

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Pedido de comissão

A CPI causou polêmica porque Rubinho tentou direcionar a investigação para o padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua da Igreja Católica.

Apesar do padre não ser citado nominalmente, o vereador disse que o padre teria motivado os pedidos de CPI. Rubinho Nunes afirma que o religioso é alvo de “denúncias gravíssimas de abuso sexual” e lucra “com a miséria no centro de SP”.

Vereador é investigado

A Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito, neste mês de junho, contra o vereador para investigar o pedido de abertura da CPI.

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A investigação contra o vereador atende a uma determinação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que acatou um pedido do Instituto Padre Ticão. O instituto havia denunciado que Rubinho Nunes cometeu abuso ao instalar uma CPI contra o padre Júlio Lancellotti.

Prefeitura se pronunciou

Em nota, a Prefeitura de São Paulo se pronunciou sobre o projeto. Veja:

“A Prefeitura de São Paulo informa que o Projeto de Lei segue em discussão na Câmara Municipal de São Paulo e será analisado pelo prefeito caso seja aprovado em segunda votação.

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Atualmente, não existe obrigação de TPU (Termo de Permissão de Uso) para entrega de alimentação às pessoas em situação de rua.

A gestão municipal mantém dois programas de Segurança Alimentar que entregam refeições para população vulnerável em todas as regiões da cidade.

 

No Centro, o programa Rede Cozinha Escola fornece, no mínimo, 400 refeições diárias de segunda a sábado por meio de cinco organizações sociais: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/direitos_humanos/rede_cozinha_escola/index.php?p=351251.

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Pelo Programa Rede Cozinha Cidadã são distribuídas 2.400 refeições na região central de segunda a domingo: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/direitos_humanos/rede_cozinha_cidada/index.php?p=352740″.

*Texto sob supervisão de Lara Madeira