Casa de luxo avaliada em R$ 2 milhões no litoral de SP entra na mira do ‘tribunal do crime’ do PCC

Caso integra a Operação Janus, deflagrada nesta terça-feira (21/7), que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa

Ao todo, 13 investigados tiveram a prisão decretada, onze foram presos durante a operação, dois já estavam detidos e outros cinco seguem foragido/Reprodução

Uma casa de luxo, avaliada em R$ 2 milhões, localizada na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral de São Paulo, tornou-se o centro de uma disputa que, segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), foi levada ao chamado “tribunal do crime” do Primeiro Comando da Capital (PCC).

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O caso integra a Operação Janus, deflagrada nesta terça-feira (21/7), que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa. Ao todo, 13 investigados tiveram a prisão decretada, onze foram presos durante a operação, dois já estavam detidos e outros cinco seguem foragidos.

De acordo com a investigação, o empresário Cléber Azevedo dos Santos, apontado como vendedor do imóvel, teria recorrido voluntariamente ao mecanismo paralelo de resolução de conflitos do PCC para solucionar um impasse envolvendo a venda da residência. O comprador seria Marcelo de Morais Oliveira, também alvo da operação.

A apuração aponta que a negociação, envolvendo o pagamento de R$ 2 milhões, deixou de ser tratada apenas como uma disputa comercial e passou a contar com a participação de integrantes da facção criminosa.

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Aproximação com integrantes do PCC

Segundo o MP, Cléber contou com a intermediação de Antonio Carlos Ubaldo Júnior e Marlon Antonio Fontana para se aproximar de integrantes do PCC, entre eles Leonardo Monteiro Moja, conhecido como Léo do Moinho, apontado como uma das lideranças da organização criminosa.

Mensagens extraídas de celulares apreendidos indicam que, em maio de 2023, Cléber participou de uma reunião na Zona Sul de São Paulo para discutir o impasse sobre o imóvel. Conforme a investigação, Marcelo compareceu ao encontro acompanhado por integrantes da facção, e, diante da falta de acordo, o conflito foi submetido ao chamado “tribunal do crime”.

Em outra conversa analisada pelos investigadores, Cléber menciona problemas relacionados às “ideias do comando” sobre a casa da Riviera e afirma que a situação seria resolvida no chamado “resumo de SP”, expressão que, segundo o Ministério Público, faz referência ao sistema interno utilizado pelo PCC para deliberar sobre conflitos.

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Ainda de acordo com a investigação, embora negasse integrar formalmente a facção, Cléber se referia aos criminosos como “irmãos”, agradecia pela ajuda recebida e tratava Marcelo como “companheiro” da organização.

Mensagens em grupo de WhatsApp

Os investigadores localizaram um grupo de WhatsApp chamado “Assunto Pertinente à Casa Riviera”, onde foram encontradas mensagens e uma gravação que, segundo o MP, registra parte da reunião do suposto tribunal do crime.

Nos áudios, foram identificadas participações de integrantes apontados como lideranças do PCC, entre eles um homem conhecido como “Zoio” e Antonio Carlos Sampaio, apelidado de “Compadre” ou “Kaka”, condenado anteriormente por organização criminosa.

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O Ministério Público também identificou um encontro presencial realizado em novembro de 2023 para tratar da disputa envolvendo o imóvel.

Para os promotores, as provas indicam que Cléber buscou deliberadamente a influência de integrantes da facção para resolver um conflito patrimonial milionário, o que reforça as suspeitas investigadas na Operação Janus sobre a atuação do PCC na mediação de disputas e na movimentação de recursos ilícitos.