CNJ decide afastar juiz acusado de assédio sexual em SP

Na decisão desta terça, ministro afirmou que indícios são muito relevadores de uma possível infração disciplinar cometida pelo magistrado

Marcos Scalercio, segundo denúncias, usava as redes sociais para assediar as vítimas

Marcos Scalercio, segundo denúncias, usava as redes sociais para assediar as vítimas | Reprodução

O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) decidiu abrir um procedimento administrativo e afastar de forma cautelar o juiz do trabalho Marcos Scalercio, acusado de assédio sexual por, ao menos, 96 mulheres, segundo o movimento Me Too Brasil.

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Na decisão desta terça-feira (6), o ministro Luis Felipe Salomão, relator do caso, afirmou que “os indícios são muito relevadores de uma possível infração disciplinar cometida pelo magistrado”. Salomão ainda disse que a apuração traz elementos satisfatórios de que Scalercio teria praticado assédio e importunação sexual em ambiente público e privado.

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O juiz nega as acusações. Em declaração após a divulgação das denúncias, a defesa do magistrado afirmou que ele é “um profissional de reconhecida competência e ilibada conduta pessoal, quer seja no âmbito acadêmico, quer seja no exercício da judicatura”.

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Reveladas em agosto, as denúncias foram recebidas pela organização Me Too Brasil em parceria com o Projeto Justiceiras, ambas organizações que acolhem mulheres vítimas de violência sexual no país.

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Segundo o Me Too Brasil, as vítimas afirmam terem sido assediadas por Scalercio entre 2014 e 2020. De acordo com os relatos, Scalercio as agarrava e as forçava a beijá-lo recorrentemente. Ainda há seis acusações de estupro, uma relatada ao jornal Folha de S.Paulo.

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Os casos contra Scalercio foram encaminhadas para a Ouvidoria da Mulher, do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), que acionou os órgãos responsáveis: CNJ (Conselho Nacional de Justiça), TST (Tribunal Superior do Trabalho) e MPF (Ministério Público Federal).

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Em 2021, o TRT-2 (Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região), em São Paulo, chegou a julgar denúncias –de, ao menos, três mulheres– recebidas contra o juiz. Naquela ocasião, a corregedoria do órgão optou pelo arquivamento. A justificativa era de que não havia provas dos crimes sexuais. Por isso, um processo administrativo não foi aberto.

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Atualmente, o MPF analisa as acusações arquivadas pela Corregedoria do TRT-2.

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No último dia 25, o Me Too Brasil apresentou um ofício no CNJ que pedia, entre outras coisas, a abertura de um procedimento administrativo disciplinar contra Scalercio, o que foi acatado nesta terça-feira.

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Após as primeiras denúncias virem à tona, o juiz solicitou 20 dias de férias. Ao retornar ao trabalho nesta segunda-feira (5), o magistrado foi designado para atuar na 18ª Vara do Fórum Trabalhista da Zona Sul. A decisão foi tomada pela Corregedoria do TRT-2 e, nessa nova atribuição, o magistrado não deve participar de audiências.

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A Corregedoria também abriu, na semana passada, uma nova Reclamação Disciplinar contra Scalercio para apurar mais três denúncias contra ele. Alegando sigilo, o tribunal não informou o teor das novas acusações.

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Luanda Pires, diretora do Me Too Brasil declara que, “diante da quantidade e gravidade dos relatos, inclusive com denúncias de estupro”, espera o caso seja exemplar no combate ao assédio e violência sexual praticada cotidianamente contra as mulheres nos ambientes de trabalho.

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“Nossa missão é ajudar sobreviventes a romperem o silêncio e, assim, enfrentar a violência sexual no Brasil”, completa Pires.