Há momentos em que o humor deixa de ser apenas entretenimento e passa a ser uma forma de preservar aquilo que o tempo insiste em levar.
Foi exatamente isso que o humorista Daniel Sartório mostrou ao dividir o palco com o pai, Celso, em um espetáculo que mistura risadas, emoção e uma poderosa mensagem sobre o amor diante da perda da memória.
O especial “Antes que ele se esqueça”, disponível no YouTube, registra um encontro entre pai e filho que vai além da comédia. A apresentação revela como o afeto pode transformar uma experiência dolorosa em lembranças compartilhadas, tocando milhares de pessoas que convivem com a demência dentro de casa.
Um espetáculo criado para preservar memórias
O projeto nasceu depois que Celso recebeu um diagnóstico inicial de demência por corpos de Lewy, uma doença neurodegenerativa que compromete funções cognitivas, memória e percepção.
Com a evolução do quadro clínico, o diagnóstico passou a indicar Alzheimer, doença responsável pela maior parte dos casos de demência em todo o mundo.
Foi diante dessa nova realidade que Daniel decidiu criar um registro que pudesse eternizar histórias, conversas e momentos ao lado do pai. O resultado é um espetáculo delicado, emocionante e, acima de tudo, cheio de humanidade.
Quando o esquecimento vira parte da apresentação
Ao longo do show, pai e filho dividem o palco de maneira completamente espontânea.

Em alguns momentos, Celso interrompe um causo porque esquece parte da narrativa. Em vez de esconder a situação, Daniel entra naturalmente na conversa, relembra os acontecimentos e ajuda o pai a concluir a história.
Essa dinâmica transforma aquilo que poderia ser visto apenas como uma limitação em uma demonstração de cumplicidade. O público acompanha tudo entre risos, emoção e longos aplausos.
Mais do que uma apresentação, o espetáculo evidencia que o cuidado também pode acontecer através da escuta, da paciência e da presença.
O impacto do Alzheimer no Brasil
A história ganha ainda mais relevância diante dos números da doença no país.
Segundo o Relatório Nacional sobre a Demência, do Ministério da Saúde, aproximadamente 2,71 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais vivem com algum tipo de demência.
A estimativa é que esse número possa chegar a 5,6 milhões até 2050, acompanhando o envelhecimento da população brasileira.
Entre todos os diagnósticos, o Alzheimer representa cerca de 60% a 70% dos casos, conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Os números mostram que milhões de famílias enfrentam diariamente desafios semelhantes aos vividos por Daniel e Celso.






