O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, apareceu como “ganhador” em 570 registros de apostas e prêmios entre janeiro de 2020 e junho de 2025, em valores que chegam a R$ 176,4 milhões, segundo dados citados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP).
As movimentações são investigadas por suspeita de terem sido usadas para lavagem de dinheiro. Freixo é um dos alvos da terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24/9), que apura uma estrutura financeira ligada ao setor de combustíveis.
As loterias não são alvo da operação. O que está sob análise dos investigadores é a forma como os prêmios e os recursos foram movimentados.
MP aponta padrão considerado atípico
Segundo a investigação, Freixo aparece como ganhador nas 570 comunicações encaminhadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Para o Ministério Público, a quantidade de premiações, o valor envolvido e a maneira como os recursos teriam circulado levantaram suspeitas.
Os investigadores analisam a possibilidade de terceiros realizarem as apostas e os valores dos prêmios serem posteriormente direcionados a empresas relacionadas a Freixo.
Um dos exemplos citados envolve uma aposta atribuída a Patrick Saulo Alves Lacerda. O prêmio de R$ 2.389,33 teria sido transferido para uma conta da Cactus Assessoria e Serviços Ltda., empresa ligada ao empresário.
Na avaliação do MP, o padrão identificado poderia, em tese, permitir que recursos de origem ilícita recebessem aparência de dinheiro obtido legalmente por meio de premiações.
Empresário é alvo da Carbono Oculto
A apuração sobre Freixo faz parte da Operação Crédito Oculto, terceira fase da Carbono Oculto. A ação investiga uma estrutura financeira que teria utilizado empresas, fintechs e fundos de investimento para ocultar beneficiários e viabilizar negócios no mercado de combustíveis.
O empresário também ganhou destaque nas investigações relacionadas ao Banco Master após firmar um acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A delação, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), trata de operações financeiras envolvendo Daniel Vorcaro, ex-dono do banco.
De acordo com o MPSP, empresas ligadas a Freixo também realizaram transações com companhias que aparecem nas investigações sobre o setor de combustíveis.
Entre os registros analisados está um repasse de R$ 166,5 mil da EntrePay para a Ceopag, fintech citada na apuração envolvendo empresas relacionadas a Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”.
Outra empresa ligada ao empresário, a Entre Investimentos, teria repassado R$ 620 mil à Quimicolor, mencionada na investigação em operações relacionadas a pagamentos envolvendo metanol.
A existência das transações, por si só, não significa que Freixo seja integrante da organização criminosa investigada. O MP apura a finalidade e o contexto dessas movimentações.
