Nesta quinta-feira (23), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu que injeções de desinfetante poderiam servir como tratamento para o novo coronavírus.
“E aí eu vejo o desinfetante, que derruba [o coronavírus] em um minuto. Um minuto! E tem um jeito de a gente fazer algo, uma injeção dentro ou quase uma limpeza? Porque, veja bem, ele entra nos pulmões e faz um trabalho tremendo nos pulmões, então seria interessante checar isso. Então, será preciso ver com os médicos, mas soa interessante para mim”, disse o presidente em entrevista coletiva.
Além de sugerir tratamento com desinfetante, o presidente também fez alusão a tratamentos com radiação ultravioleta. “Talvez seja possível, talvez não seja. Eu não sou médico. Mas eu sou, tipo, uma pessoa que tem um bom você sabe o quê”, afirmou.
O pronunciamento de Trump gerou inúmeras críticas. O pneumologista do Hospital Geral Zuckerberg de São Francisco, John Balmes, disse, em entrevista à Bloomberg News, que o uso de desinfetantes não pode acontecer. “Nem mesmo uma baixa diluição de água sanitária ou álcool isopropílico é segura. É um conceito totalmente ridículo”.
Sobre o tratamento com raios ultravioleta, o neurocientista e professor da Universidade de Utah, Bryan William Jones, escreveu em uma rede social que seria uma “morte horrível”. “O tipo de radiação UV necessária dentro e fora do corpo para efetivamente matar um vírus faria o mesmo que que a radiação atômica faz ao corpo humano”, escreveu.
Um fabricante mundial de produtos de limpeza, o grupo Reckitt Benckiser, divulgou uma nota afirmando que os produtos não devem ser utilizados no corpo. “Devemos deixar claro que, sob nenhuma circunstância, nossos produtos desinfetantes devem ser administrados ao corpo humano – por injeção, ingestão ou qualquer outra via. Por favor, leia o rótulo e as informações de segurança.”
