Erro de 1 em 2 milhões: a ciência por trás da lagosta azul ‘Netuno’

Lagosta pertence à espécie Homarus americanus, conhecida como lagosta-americana

Lagosta azul capturada nos Estados Unidos

Lagosta azul capturada nos Estados Unidos | Divulgação/Universidade Northeastern/Matthew Modoono

Uma mutação genética raríssima transformou um animal comum do Atlântico Norte em uma joia viva.

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A lagosta azul apelidada de “Netuno” foi encontrada na costa de Massachusetts e desafia a lógica da seleção natural: como um crustáceo tão chamativo conseguiu sobreviver por sete anos no oceano?

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A resposta está na bioquímica,e em uma estatística de 1 em 2 milhões.

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Onde e como Netuno foi encontrado

A lagosta pertence à espécie Homarus americanus, conhecida como lagosta-americana. O exemplar foi capturado em julho de 2024 na costa de Salem, em Massachusetts (EUA), no Atlântico Noroeste.

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O responsável pela captura foi o pescador comercial licenciado Brad Myslinski, que identificou a raridade da coloração e reportou o caso para instituições científicas locais.

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Batizada de “Netuno” por estudantes de um programa de verão, a lagosta foi encaminhada ao Marine Science Center da Northeastern University, onde hoje vive em um tanque interativo para fins educacionais e científicos.

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Dados biológicos:

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  • Peso: cerca de 1 kg
  • Idade estimada: 7 anos (com base no tamanho da carapaça)
  • Dieta atual: mexilhões e pequenos peixes
  • Expectativa de vida da espécie: até 100 anos, em ambiente controlado ou na ausência de predadores

A mutação genética: quando a lagosta “perde” cores

Ao contrário do que parece, a lagosta azul não “ganhou” uma nova cor. Ela perdeu as outras.

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A coloração típica da Homarus americanus resulta da combinação de pigmentos vermelhos, amarelos e azuis, que produzem o tom marrom-esverdeado ideal para camuflagem entre rochas e algas.

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No caso de Netuno, ocorreu um defeito genético raro:

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  • Mutação: superprodução da proteína crustacianina
  • Efeito químico: essa proteína se liga à astaxantina (pigmento naturalmente vermelho)
  • Resultado: o pigmento passa a refletir um azul vibrante

É como se um “interruptor” genético tivesse desligado os tons quentes, deixando apenas o azul em evidência.

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Segundo pesquisadores do Marine Science Center da Northeastern University, o comportamento do animal é idêntico ao de qualquer outra lagosta da espécie, a diferença é exclusivamente cromática.

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O paradoxo da sobrevivência: um alvo que escapou

Na natureza, camuflagem é sinônimo de sobrevivência. Uma lagosta marrom se mistura ao fundo rochoso. Uma lagosta azul, não.

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Predadores como bacalhaus e polvos detectam contraste com facilidade. Do ponto de vista evolutivo, a seleção natural tenderia a eliminar indivíduos excessivamente visíveis.

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E é aí que surge o mistério: Netuno chegou aos 7 anos de idade e 1 kg, o que indica que sobreviveu por tempo considerável em ambiente aberto.

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Hipóteses levantadas por biólogos incluem:

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  • Permanência mais frequente em fendas profundas;
  • Comportamento mais recluso;
  • Sobrevivência estatística improvável;
  • Baixa densidade de predadores na área específica.

A raridade da mutação é documentada por instituições como o The Lobster Institute e associações de pescadores da região.