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Geovana Borges é vice-presidente de Relações Corporativas, Institucional e Governamental da Central Única das Favelas (Cufa) | Thiago Neme/Gazeta de S.Paulo
Geovana Borges, vice-presidente de Relações Corporativas, Institucional e Governamental da Central Única das Favelas (Cufa), é a nova colunista da Gazeta. A novidade foi revelada em uma entrevista na redação da Gazeta nesta semana.
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Entre os temas a serem tratados nas colunas semanais estão empreendedorismo periférico, negócios e oportunidades e discussão de temas raciais sob a perspectiva de uma mulher negra. Para ela, é fundamental aprofundar o letramento racial no País.
“Antigamente, ninguém queria se dizer favelado, ninguém queria falar de racismo. Lutamos, aliás, para a palavra 'favela' entrar no IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística]. Hoje, todo mundo quer falar do assunto. Todos os favelados se reconhecem como favelados. Está havendo no Brasil um aumento do letramento racial”, afirmou.
“Existe, sim, um racismo cultural. E o que temos que fazer? Nos educar, ser pedagógicos, para dizer às pessoas que isso está errado”.
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Ela também defendeu a política de cotas raciais em universidades públicas, cuja legalidade foi consagrada por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na década passada.
“As cotas são necessárias porque não estamos num espaço igualitário. O meu sonho ideal é um espaço igualitário, porém não; essa não é a realidade de hoje. Então, as cotas são necessárias para equilibrar, como algo temporário”, defendeu.
Nascida e criada entre a Vila Formosa e o Jardim Anália Franco, na zona leste de São Paulo, Geovana teve uma vida humilde até a vida adulta. Mesmo sem recursos, e em uma fase financeiramente difícil, resolveu atuar como voluntária da Cufa, fundada pelo ativista social Celso Athayde. Nunca mais deixaria a missão.
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Já dentro da entidade resolveu iniciar os estudos universitários. Hoje, ela é formada em marketing com especialização em Direitos Humanos e está prestes a iniciar outra especialização em Políticas Públicas.
“Primeiro, aprendi na prática, aprendi ouvindo o Celso Athayde [fundador da Cufa]. Depois me aprofundei nos estudos. Os estudos foram fundamentais para o meu desenvolvimento”, contou.
Ela destacou o papel da Cufa de conseguir negociar com entes públicos, seja com gestores da direita, seja da esquerda, e de ter penetração em todos os estados brasileiros e em 70 países pelo mundo.
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Na entrevista, Geovana destacou o poder humano e econômico das favelas brasileiras, e citou uma pesquisa publicada em julho que revelou que moradores de favelas e periferias movimentam uma massa de renda maior do que a de 22 estados brasileiros.
O levantamento foi feito pelo Instituto Data Favela e ouviu 16,5 mil moradores em todo o País.
Atualmente, segundo o estudo, o Brasil possui cerca de 12,3 mil favelas mapeadas, o equivalente a 6,6 milhões de domicílios, dado que representa 8% dos lares brasileiros.
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Mais de 17 milhões de brasileiros moram em favelas e periferias, o equivalente à população do estado do Rio de Janeiro, ficando atrás apenas dos estados de São Paulo (45,9 milhões) e Minas Gerais (21,3 milhões).
“A favela consome, paga seus impostos. O que difere a favela do asfalto são as oportunidades”, destacou.
Segundo ela, uma das premissas da Cufa é que os projetos que envolvam as favelas tenham profissionais da favela, para gerar economia dentro da favela.
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A vice-presidente da Cufa também é a diretora-geral da Taça das Favelas, um evento em que o futebol é a atração para uma série de atividades ligadas a moradores de favelas.
A Taça das Favelas é o maior campeonato de futebol entre favelas do mundo. O torneio realizado pela Cufa e produzido pela InFavela, empresa da Favela Holding, foi disputado pela primeira vez em 2012, no Rio de Janeiro. São Paulo teve a sua primeira edição em 2019.
Geovana começou na taça literalmente como gandula, até chegar ao cargo máximo.
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“A Taça das Favelas é resumo do que estamos conversando aqui, é uma questão de pertencimento, de como abrir portas. O futebol é apenas o pano de fundo. O evento, na verdade, não é sobre futebol, é sobre oportunidades em várias escalas”.
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