Governo vende apenas uma área em novo leilão

pré-sal. Em mais um leilão sem concorrência, o governo vendeu apenas uma das cinco áreas do pré-sal oferecidas nesta quinta

"As empresas estão deixando para trás a fase de assunção de riscos", disse Décio Oddone, após o leilão

"As empresas estão deixando para trás a fase de assunção de riscos", disse Décio Oddone, após o leilão | /TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL

Em mais um leilão sem concorrência, o governo vendeu apenas uma das cinco áreas do pré-sal oferecidas nesta quinta-feira. Mais uma vez, Petrobras e chineses foram os únicos a apresentar ofertas.

Para a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), a ausência de estrangeiras nos leilões desta semana representa o fim de um ciclo de acumulação de áreas no pré-sal, iniciado em 2017.

“As empresas estão deixando para trás a fase de assunção de riscos para a fase de colheita dos resultados dos investimentos”, disse o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, após o leilão.

Nesta quinta, Petrobras e a chinesa CNODC arremataram a maior área do leilão, chamada Aram, com bônus de R$ 5 bilhões e oferta de 29,96% do petróleo produzido para o governo, após o desconto dos custos. Não houve ágio.

Nos leilões do pré-sal, os bônus de assinatura são fixos e a disputa se dá pelo volume de óleo que os consórcios se comprometem a entregar ao governo durante a vida útil dos projetos.

Na véspera, eles haviam se juntado à também chinesa CNOOC para comprar a maior área do megaleilão da cessão onerosa, por R$ 69,9 bilhões, também sem ágio.

A Petrobras havia exercido direito de preferência para comprar três áreas no leilão desta quinta, mas fez oferta por apenas uma. A estratégia surpreendeu o governo. “Foi a única surpresa do leilão”, disse Oddone.

E reforçou apoio do governo e do setor ao fim do direito de preferência da estatal em áreas do pré-sal, tema de projeto de lei do senador José Serra (PSDB-SP). “O exercício do direito de preferência da Petrobras naturalmente reduz a competitividade”, disse o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

O ministro classificou como exitosa a temporada de leilões de petróleo em 2019, que rendeu ao governo R$ 84 bilhões em bônus de assinatura -foram dois leilões do pré-sal e um do pós-sal.

O resultado dos leilões ajuda o governo a melhorar o resultado fiscal no ano, com a redução do déficit para R$ 80 bilhões a R$ 90 bilhões, ante os R$ 139 bilhões projetados em 2018.

Albuquerque defendeu que as áreas não arrematadas continuam atrativas e serão oferecidas em novos leilões no futuro. Segundo ele, o governo vai rever parâmetros e procedimentos para melhorar a competição.

Antes da oferta, porém, Oddone disse que a era dos bônus bilionários do pré-sal chegou ao fim, tanto pela elevada exposição das petroleiras internacionais no país quanto pela escassez de áreas de grande porte após os últimos leilões. O governo já aprovou a realização de duas novas rodadas em 2020, uma do pré-sal e outra do pós-sal. (FP)