Greve de 15h prejudica 1,5 milhão em SP e vai aumentar custo do transporte

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que o reajuste da tarifa vai depender da demanda de passageiros

Transporte público na Capital

Movimentação de passageiros em ponto de ônibus na capital paulista | Rovena Rosa/Agência Brasil

A paralisação dos ônibus municipais, que afetou ao menos 713 linhas e 1,5 milhão de passageiros durante a manhã e tarde de ontem, foi encerrada com um acordo entre patrões e empregados, em menos de 24 horas. Mas a situação ainda deve levar a acréscimo no subsídio público para o transporte ou em aumento da tarifa, conforme admite o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).

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A SPUrbanuss, entidade que representa os empresários do setor, informou que o acordo se deu após parecer do Ministério Público do Trabalho, que teria considerado a greve legal e também a reivindicação do pagamento do reajuste de 12,47% contado a partir de maio. Conforme a São Paulo Transporte (SPTrans), a paralisação, que teve início na madrugada, afetou ao menos 1,3 mil linhas diurnas e 6,5 mil ônibus (de um total de 13,5 mil).

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“Foi cruzando os braços que os condutores conseguiram mostrar a importância da categoria para o funcionamento da maior cidade do País”, disse, em nota, o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas). Segundo a entidade, a paralisação, que durou 15h, foi suspensa, mas “outras reivindicações estão em negociação”.

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SUBSÍDIO

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O prefeito Ricardo Nunes disse que ainda vai estudar se o repasse financeiro para que as empresas banquem o aumento da categoria virá de maior subsídio do Município ao setor ou de aumento da tarifa, hoje em R$ 4,40. “Vai depender da quantidade de passageiros. Se entra bastante passageiro, aumenta a receita e diminui a diferença para dar o subsídio”, afirmou ao Estadão. 

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Em 2021, o subsídio no transporte público custou aos cofres do Município R$ 3,44 bilhões. Apesar da alta da inflação no último ano, a gestão Nunes optou por manter o preço da passagem de ônibus congelado, na expectativa de que fosse aprovado no Congresso socorro financeiro federal às prefeituras, o que não ocorreu.

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“Vai depender também da votação desse projeto do ICMS (em análise no Congresso), se vai reduzir o valor do diesel na bomba Tem muitas variantes nesse processo. O esforço da Prefeitura é de que não tenha aumento da tarifa. Esse é o maior esforço que a gente vai fazer. Evidentemente, vou ver até onde vou conseguir levar isso, mas deve ser comportado pelo subsídio. O que eu não tenho agora é o número que representa tudo isso, porque está mudando muito”, acrescentou Nunes. 

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Em geral, reajustes da tarifa municipal de ônibus da capital costumam vir acompanhados do anúncio do aumento das passagens de metrô e trens pelo Estado. Mas o governador Rodrigo Garcia (PSDB), que tem ficado próximo de Ricardo Nunes, é candidato à reeleição. 

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NA JUSTIÇA

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As negociações da campanha salarial dos condutores de São Paulo começaram em março. O pedido de 12,47% de reajuste salarial, referente ao índice do INPC/IBGE, foi aceito pelo sindicato patronal antes da paralisação, mas só a partir de outubro – para não deflagrar a greve, o Sindmotoristas exigia o respeito à data-base de 1º de maio.

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Com o anúncio da paralisação de 24h, já que não houve acordo em um primeiro momento, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) determinou “a garantia da circulação de 80% do efetivo durante horários de pico (6h às 9h e 16h às 19h) e de 60% nos demais períodos”. Em caso de descumprimento, a multa diária prevista era de R$ 50 mil. “Não houve a manutenção, no período da manhã, dos 80% da frota necessária, conforme foi decidido pela Justiça trabalhista. E agora, na hora do entrepico, os 60% também não foram mantidos”, disse ao Estadão o secretário executivo de Transporte e Mobilidade Urbana, Gilmar Pereira Miranda. 

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Pela manhã, o prefeito chegou a dizer que notificaria a Justiça pelo fato de o Sindmotoristas não ter garantido a frota mínima, além de autuar empresas por não cumprirem as viagens. O Município ainda liberou o rodízio de veículos e permitiu o uso de faixas restritas de ônibus por carros. Mesmo assim, a população relatou atrasos e os demais modais, como os trens, ficaram lotados.