A greve dos professores da rede municipal de São Paulo entrou no 16º dia nesta quarta-feira (13/05), sem acordo entre os sindicatos da educação e a Prefeitura.
Em meio à paralisação, entidades da categoria rejeitaram o reajuste de 3,51% proposto pela gestão Ricardo Nunes e apresentaram uma contraproposta com recomposição inflacionária de 4,16% e aumento real de 10%.
Nesta quarta-feira (13/05), professores realizam manifestação e assembleia em frente à Prefeitura de São Paulo, às 14h, para discutir os próximos passos da paralisação.
Os profissionais são contra o Projeto de Lei nº 354/2026, encaminhado pela Prefeitura à Câmara Municipal.
O texto prevê reajuste dividido em duas parcelas: 2% em maio de 2026 e 1,48% em maio de 2027.
Melhores condições de trabalho
Durante audiência pública realizada na Câmara Municipal nesta terça-feira (12/05), a Coordenação das Entidades Sindicais (Coeduc), formada por SINPEEM, SEDIN e SINESP, afirmou que a campanha salarial também envolve demandas relacionadas às condições de trabalho na rede municipal.
Segundo as entidades, a categoria rejeita trechos do projeto relacionados à Jornada Especial Integral de Formação (Jeif) para professores readaptados e à possibilidade de transformação do cargo de professor de educação infantil em professor de educação infantil e ensino fundamental I.
Como contraproposta, os sindicatos apresentaram um substitutivo ao PL 354/2026. O documento prevê recomposição inflacionária de 4,16% e aumento real de 10% para os profissionais da educação municipal.
A proposta também inclui medidas relacionadas à saúde ocupacional, realização de concursos públicos, recomposição de módulos de funcionários, ampliação da educação inclusiva e melhorias na infraestrutura das escolas.
Entre os pontos apresentados pelas entidades estão a criação de programas de atendimento psicológico aos profissionais da educação, cronograma para concursos públicos, políticas de valorização profissional e planos para manutenção das unidades escolares.
O que diz a prefeitura
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que a proposta apresentada prevê reajuste de 3,51% para os servidores municipais, com base no IPC-Fipe acumulado.
Segundo a administração municipal, a medida representa impacto superior a R$ 1 bilhão por ano na folha de pagamento.
A gestão municipal informou ainda que parte dos profissionais da educação terá reajuste de 5,4% no piso inicial.
De acordo com a Prefeitura, um professor em início de carreira com jornada de 40 horas semanais passará a receber R$ 5.831,88.
A administração também afirmou que, desde 2021, os investimentos em revisão de remunerações e benefícios ultrapassaram R$ 7 bilhões.
Segundo a Prefeitura, o auxílio-refeição teve aumento de 50% no período, enquanto o vale-alimentação registrou reajuste de 96%.
A Prefeitura destacou ainda que o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou o funcionamento das unidades educacionais com ao menos 70% dos profissionais durante a greve.
Segundo a Secretaria Municipal de Educação, as faltas dos servidores que aderiram à paralisação deverão ser justificadas até sexta-feira (15/05). Caso contrário, haverá desconto salarial.
A pasta informou ainda que, até o momento, 13% das unidades educacionais comunicaram ausência de atendimento.
A Secretaria afirmou que as aulas serão repostas mediante planos elaborados pelas escolas e aprovados pelas Diretorias Regionais de Educação.




