O empresário Allan Ruiz, conhecido por sua paixão em restaurar imóveis ociosos no centro de São Paulo, fez uma descoberta surpreendente ao adquirir um palacete em ruínas na Rua Roberto Simonsen, no Marco Zero na capital paulista.
O que parecia apenas mais um prédio abandonado revelou-se uma preciosidade arquitetônica assinada por Ramos de Azevedo, o lendário arquiteto responsável por ícones como o Theatro Municipal e o Mercadão.
Comprado em outubro de 2025, o imóvel teve sua origem revelada de forma inusitada.
A descoberta por trás dos tijolos
Segundo depoimento ao Metrópoles, a revelação sobre a origem do imóvel aconteceu de forma inusitada.
Ruiz, que mapeia prédios na região há sete anos, decidiu investigar as inscrições nos tijolos antigos do imóvel, comprado em outubro de 2025.
A pesquisa o levou à “Tijoloteca”, onde a pesquisadora Angélica confirmou: o palacete não apenas era um projeto do escritório de Ramos de Azevedo, mas também possuía documentação histórica original e assinada ainda preservada.
“Eu não suspeitava; essa possibilidade nem passava pela minha cabeça”, afirmou o empresário ao relatar o achado ao Metrópoles.
Um reduto de gênios: de Marie Curie a Alexander Fleming
Além do valor arquitetônico, o casarão carrega um peso histórico internacional. O local funcionou como a Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo e recebeu membros ilustres que, juntos, somam cinco prêmios Nobel:
- Marie Curie (Física e Química);
- Alexander Fleming (Medicina – descobridor da penicilina);
- Charles Robert Richet (Medicina);
- António Egas Moniz (Medicina).
Para a época, o prédio era considerado ultra-moderno, contando com estrutura de concreto armado, biblioteca, salas de estudo e até um anfiteatro equipado com projetor de imagens.
O futuro do palacete
Apesar de estar abandonado há 85 anos, o imóvel está no centro de um novo plano: Allan Ruiz pretende transformá-lo em um espaço cultural.
“Tenho certeza de que a raridade arquitetônica vai valorizá-lo culturalmente”, destacou o empresário, que acredita que muitos outros “tesouros” de arquitetos como Niemeyer e Franz Heep ainda estão escondidos sob as fachadas desgastadas do Centro Histórico.
