Moradores da Vila Mariana promovem ato neste sábado contra derrubada de árvores

Projeto é alvo de contestação na Justiça por suposta fraude na licitação, pela derrubada de quase 200 árvores

Manifestantes protestam contra a construção de túneis na Sena Madureira

Manifestantes protestam contra a construção de túneis na Sena Madureira | Reprodução/Redes sociais

Moradores da Vila Mariana e ambientalistas promovem neste sábado (8/2) mais um protesto contra a derrubada de 172 árvores na avenida Sena Madureira.

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A mobilização começa às 13 horas, na Praça Lasar Segall, altura do número 1.832 da rua Domingos de Moraes.

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O Movimento Salve a Sena Madureira pede o fim da obra que prevê a construção de dois túneis na região, com a consequente derrubada das árvores e a remoção de aproximadamente 200 famílias.

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Os moradores também querem a remoção imediata dos tapumes que cercam o canteiro de obras e a recuperação das áreas já afetadas.

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A pressão da sociedade e a intervenção do Ministério Público levaram o prefeito Ricardo Nunes (MDB) a recuar e decidir pela abertura de uma nova licitação para execução dos serviços. O anúncio foi feito por Nunes na última terça-feira.

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O projeto dos dois túneis é do tempo do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD – 2006/2013), mas, as obras foram recomeçadas em abril de 2024 na primeira gestão de Ricardo Nunes.

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Desde então, elas vêm sendo alvo de protestos e ações na Justiça que resultaram em três decisões judiciais que levaram à paralisação da construção.

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O contrato com o Consórcio Expresso Sena Madureira prevê o repasse de R$ 218 milhões à empreiteira.

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A decisão do prefeito de recomeçar do zero o processo licitatório levou em consideração a advertência do promotor Silvio Marques à gestão municipal sobre a necessidade de rescisão do atual contrato, sob o alerta de que o prefeito poderá ser alvo de uma ação civil pública por improbidade administrativa caso insista em prosseguir.

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Marques alega que o atual contrato firmado entre a Prefeitura e a Álya Construtora S.A., antiga empreiteira Queiroz Galvão S.A., “claramente decorre de fraude da qual a empresa participou e que envolve outras licitações do Programa de Desenvolvimento do Sistema Viário Estratégico Metropolitano de São Paulo, sob a responsabilidade da DERSA – Desenvolvimento Rodoviário S.A.”.

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O Dersa foi uma empresa vinculado ao Governo do Estado que encerrou suas atividades em 2019.

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Segundo o promotor, “houve superfaturamento de preços nas diversas licitações de, pelo menos, 10,8% e envolveu o pagamento de propina a Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da DERSA”.

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O acusado era conhecido no meio político como Paulo Preto. Segundo a Polícia Federal, ele atuou como operador do PSDB em esquemas de desvio de verbas.

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Preto foi condenado pela Justiça Federal em duas ocasiões, tendo sido arbitrada pena de 145 anos e oito meses de prisão em uma delas. A outra sentença, que previa 27 anos de reclusão, acabou suspensa pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região em 2023.

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Mas, de acordo com o promotor Silvio Marques, a Prefeitura “claramente insiste na manutenção da obra em apreço, cuja licitação (concorrência 017/10/SIURB) foi criminosamente fraudada por representantes de várias empresas, a partir de 2008”.

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O inquérito civil que originou a recomendação do promotor a Ricardo Nunes foi aberto após representações protocoladas por parlamentares como o deputado estadual Antonio Donato (PT), a deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL) e o vereador Celso Gianazzi (PSOL).

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Essas representações questionavam a retomada das obras com as mesmas premissas do contrato assinado inicialmente com a Queiroz Galvão S.A. na época do então prefeito Gilberto Kassab.

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Além da fraude

Polêmica, a obra também é alvo de outros questionamentos na Justiça pela derrubada das árvores e por, supostamente, causar impactos negativos em nascentes d’água existentes em seu entorno.

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Esse argumento foi acolhido pelo desembargador Paulo Ayrosa, da 2ª Câmara Reservada do Tribunal de Justiça de São Paulo, em novembro de 2024. O desembargador chegou a fixar multa diária de R$ 100 mil até R$ 5 milhões em caso de continuidade dos trabalhos na via.

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Segundo os moradores da Vila Mariana contrários à construção do Complexo Viário Sena Madureira, os estudos de impacto ambiental apresentados pela gestão Ricardo Nunes na retomada do contrato repetiam dados de 2009 e, portanto, estavam defasados.

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Mais: parte desses estudos seria cópia integral de outro processo de viabilidade ambiental usado no projeto para canalização do Córrego Itaquera, na Zona Leste. 

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Antes, em outubro de 2024, o juiz Marcelo Sergio, da 2ª Vara da Fazenda Pública, considerou que era preciso interromper imediatamente o corte de árvores na região porque os danos seriam irreversíveis. Em caso de descumprimento, o magistrado fixou a multa diária de R$ 50 mil e de R$ 100 mil por árvore cortada.