Uma das entidades mais populares da umbanda é Seu Zé Pelintra. Trata-se de uma figura espiritual genuinamente brasileira, com origem que o leva entre Pernambuco e o Rio de Janeiro.
Uma das linhas diz que ele nasceu e morreu em Pernambuco, se tornando um “Mestre Juremeiro”, conhecedor profundo das ervas e da cura. Outra destaca Zé Pelintra também nasceu em Pernambuco, mas se mudou para o Rio. Há opção mais defendida é a de que há dois Zés Pelintras, e as duas versões estão corretas.
Ao migrar para o Sudeste, sua lenda se fundiu à boemia do bairro da Lapa. Ele se tornou o símbolo do “malandro”. Não o criminoso, mas aquele que sobrevive à opressão contra os mais humildes por meio da astúcia, da alegria e da ginga.
Na umbanda, Zé Pelintra ocupa um lugar único: ele é uma das poucas entidades que tem permissão para transitar entre a direita (trabalhando com os Pretos Velhos e Caboclos) e a esquerda (atuando junto aos exus, pombas-giras e exus-mirins).
Ele é considerado o patrono dos bares, das mesas de jogo e das ruas, mas sua principal função é o amparo social. Conhecido como o “advogado dos pobres”, Zé Pelintra é invocado para resolver problemas financeiros, livrar fiéis de vícios e abrir caminhos profissionais.
Símbolos e oferendas
Para identificar a presença desta entidade, basta observar seus elementos característicos. A vestimenta costuma ser de terno de linho branco (pureza), gravata e fita do chapéu vermelhas (força e proteção). Entre os acessórios estão bengala de madeira e o clássico cravo vermelho na lapela.
Aprecia o fumo, como cigarros ou charutos, e a cerveja bem gelada, servida em copo de vidro.
A figura de Zé Pelintra fascina porque ele é profundamente humano. Ele não se apresenta como um santo inalcançável, mas como alguém que conhece as falhas humanas, os prazeres da vida e as injustiças do mundo.
“Era uma figura extramemente popular: o malandro da gafieira, da jogatina, que cuidava das moças da noite”, explicou o canal Bate Tambor.
Em tempos de crise, a busca por entidades que prometem “jeitos” e soluções rápidas para questões de subsistência faz com que sua popularidade cresça não apenas nos terreiros, mas também como ícone cultural da resistência urbana brasileira.
Se você encontrar uma tronqueira ou altar dedicado a ele, a saudação correta é: “Salve o Senhor Zé Pelintra!” ou “Saravá a Malandragem!”.
