Paciente de anestesista quer processar hospital por não ter interrompido estupro

A mulher de 30 anos foi a primeira a ser sedada pelo médico durante o parto na manhã do último domingo

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Movimentação em hospital | Felipe Barros/Ex Libris/PMI

Uma das pacientes que suspeitam ter sido vítimas do anestesista Giovanni Quintella Bezerra quer processar o Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, por não ter interrompido o ato.

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A mulher de 30 anos foi a primeira a ser sedada pelo médico durante o parto na manhã do último domingo (10). Depois dela, ele participou de mais duas cesáreas, sendo a terceira filmada por profissionais que desconfiaram da atitude de Bezerra.

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“Eu entendo a negligência do hospital, porque deixaram mais duas vítimas passarem pelo mesmo abuso só por causa de uma filmagem”, disse o advogado da paciente, Joabs Sobrinho, na delegacia nesta quinta (14).

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“A própria voz da vítima já é válida em casos de estupro, imagina uma equipe médica dizendo que um outro médico está abusando de uma paciente”, argumenta ele, afirmando que eles tinham a responsabilidade de ter chamado seus superiores.

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“Eles sabiam que tinha um abuso. É muito forte você querer gravar uma pessoa para pegar um ato libidinoso se você está realmente percebendo que tem um ato libidinoso”, acrescentou.

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A reportagem procurou o hospital na noite desta quinta para comentar as falas do advogado, mas não obteve resposta. Em nota divulgada à tarde, a Secretaria de Estado de Saúde e a direção do Hospital da Mulher disseram que foram acionadas pela equipe médica e de enfermagem e logo procuraram a polícia.

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“Tanto a denúncia como as imagens que comprovam o crime foram feitas por profissionais do próprio hospital, que suspeitaram da conduta do médico […]. Após a equipe ter verificado o conteúdo da filmagem, o anestesista não participou de nenhum outro procedimento”, afirma o comunicado.

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A paciente prestou depoimento nesta quinta (14) na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) da cidade. Os investigadores ainda aguardam os relatos formais de mais duas das seis mulheres que estão tendo seus casos apurados.

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Segundo o advogado Joabs Sobrinho, além do estupro por meio do sexo oral, a paciente de 30 anos também suspeita de estupro vaginal. Ela diz se lembrar de seu corpo “se movimentando”, segundo ele, mas estava muito sedada.

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Ele conta que ela entrou na sala de parto por volta das 8h30, mas o médico não permitiu que uma amiga que a acompanhava entrasse. Ela então se lembra que o anestesista não deixou que uma enfermeira ou enfermeiro colocasse a sonda em sua genitália.

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“Tinha muita coisa de errado, ele colocou a sonda e deu a injeção sentada, e não deitada, mas ela estranhou porque sabia que era deitada. Ela disse: ‘Mas eu estou muito suja, tenho vergonha, doutor. E ele respondeu: ‘Não, eu te limpo'”, diz Sobrinho.

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“Ele aplicou uma dosagem muito forte nela e falou: você está sentindo as suas pernas? Ela: não. Depois ficou sozinho com ela. Ela via balançar a parte de baixo, mas não sentia nada. Aí ela apagou. Quando acordou, viu ele atrás da cabeça dela. Perguntou: ‘Já nasceu?’ ‘Já’, e apagou de novo”, completa.

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Por volta das 9h30, seu filho já havia nascido. Ela ficou sedada até quase 12h e não conseguiu amamentar por estar muito sonolenta, por isso foi dado leite em um copinho para o bebê.

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O advogado quer ler os depoimentos da equipe médica e de enfermagem para entender o que aconteceu de fato naquele momento. Depois, pretende “tomar as medidas cabíveis, tanto na área criminal quanto na área cível”.

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No final da noite de segunda (11), a família foi informada dentro do hospital de que um médico havia sido preso, mas a paciente só soube da suspeita de estupro por meio da delegada Barbara Lomba, que ligou para ela na terça-feira.

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Ele diz que o hospital nunca a procurou e que agora ela está decidindo se tomará o coquetel de remédios contra HIV que é praxe em casos de abuso sexual. Ela quer amamentar o filho, mas ficará impedida se tomar os remédios.

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“Tem uma reparação muito grande, ela está com a imagem dela vinculada no país todo, […] está sofrendo demais, não conseguiu entender por que isso tá acontecendo com ela. Primeiro dia de vida do filho ela vai lembrar que foi estuprada, complicado isso”, diz ele.