PEC será votada apesar do STF e vê vitória apertada, diz Ricardo Barros

A PEC dos Precatórios será votada na terça-feira (9), segundo o deputado Ricardo Barros a proposta poderá ser aprovada, mas de forma apertada

Deputado Ricardo Barros

Deputado Ricardo Barros | Valter Campanato/Agência Brasil

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), afirmou nesta segunda-feira (8) que a PEC dos Precatórios será votada no plenário da Casa nesta terça (9), independentemente de decisões do STF (Supremo Tribunal Federal).

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Segundo o deputado, a proposta deve ser aprovada com cerca de 20 votos a mais do que os 308 necessários. Esse placar é considerado apertado dentro do contexto de 513 deputados federais.

O texto-base da proposta foi aprovado pelo plenário da Câmara na madrugada da última quinta (4), em primeiro turno, por 312 votos a favor e 144 contra.

Na última sexta (5), a ministra do Supremo Rosa Weber decidiu suspender o pagamento das emendas de relator ao Orçamento da União, também conhecido como “orçamento secreto” e emendas RP-9. Ela ainda determinou que o Ministério da Economia tome medidas para maior transparência à modalidade.

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Nos bastidores, parte dos parlamentares tem afirmado haver o condicionamento de votos a favor da Proposta de Emenda à Constituição com a sinalização da liberação dessas emendas. Portanto, com a suspensão desse pagamento, a expectativa é que o placar da votação fique mais indefinido.

O deputado federal Celso Maldaner (MDB-SC) afirmou que houve oferta por voto na PEC de R$ 15 milhões em emendas, por exemplo.

Ricardo Barros, porém, negou que haja relação entre as emendas de relator e a disposição dos parlamentares da própria base do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) em votar a favor da PEC dos Precatórios.

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“A PEC vai ser votada independentemente do Supremo. Para nós, isso [a suspensão] é indiferente”, declarou. “As emendas não têm nada a ver com isso.”

Ele acrescentou estar focado em aprovar a PEC e que sua função é “arrumar voto”.

A PEC, que já havia passado por comissão especial, abre espaço fiscal de R$ 91,6 bilhões para o governo federal em 2022, o que viabiliza o lançamento do Auxílio Brasil de R$ 400, programa que vai substituir Bolsa Família e é aposta do presidente Jair Bolsonaro na tentativa de se reeleger no ano que vem.

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Sugestões de mudanças no texto e a proposta como um todo ainda precisam ser aprovadas em segundo turno de votação na Câmara, previsto para amanhã, antes de seguir para o Senado.

Além da suspensão do pagamento das emendas de relator, Rosa Weber concedeu um prazo de 24 horas para que a Câmara se pronuncie sobre a votação da PEC dos Precatórios. Ela é a relatora do processo que pede que o Supremo anule a primeira votação plenária da proposta.

Um grupo de deputados federais da oposição é autor da ação que contesta o rito regimental adotado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). No dia da votação, ele modificou o regimento interno para permitir que parlamentares em viagem pudessem votar.

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A ação assinada pelo PDT questiona a votação remota de parlamentares que estavam em missão oficial na COP26, realizada em Glasgow, na Escócia.
“O problema aí é que a Mesa Diretora da Câmara entendeu que a votação estava regular e nós votamos.

Lira vai fazer as explicações, ele tem 24 horas para explicar. Pode ser depois da votação”, disse Barros.

ENCONTRO COM FUX

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Lira pediu um encontro com o presidente do STF, Luiz Fux, para tratar das decisões de Rosa Weber, apurou a reportagem. Eles devem se reunir hoje às 17h. A base governista enxergou no ato da ministra uma interferência do Judiciário em questões internas do Legislativo.

O Supremo vai julgar o caso virtualmente a partir da madrugada de amanhã. Enquanto isso, o Planalto busca mapear os votos dos magistrados. No momento, ainda não há uma previsão certa do placar na Corte.

Na Câmara, Ricardo Barros estima que o governo conseguirá até cerca de mais 20 votos a favor da PEC dos Precatórios por meio de parlamentares ausentes no primeiro turno que deverão participar da nova rodada de votação.

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Na sexta passada (5), um líder de um partido do centrão, atual base de sustentação do governo Jair Bolsonaro no Parlamento, disse à reportagem estimar que a PEC passe pelo segundo turno na Câmara com cerca de 322 votos -o mínimo necessário são 308 votos.

Já em relação a votos favoráveis da oposição, Barros afirmou poder haver perdas ou ganhos. Isso porque, apesar de fazerem oposição ao governo, as bancadas do PDT e do PSDB votaram em massa a favor da PEC, diferentemente da maioria dos deputados das demais siglas oposicionistas.

Após repercussão negativa, presidentes dos partidos passaram a falar em buscar mudar os votos dos próprios parlamentares.

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Lira, porém, afirmou não acreditar em mudanças partidárias bruscas, até porque os termos do acordo para a PEC já foram discutidos. Os governistas apostam que os oposicionistas que votaram a favor da PEC o fizeram com o apoio dos respectivos presidentes dos partidos nos bastidores. Portanto, os votos que perderão da oposição serão “contados” nos dedos.

Um vice-líder do governo na Câmara disse ao UOL que Lira havia aceitado mudanças no texto da PEC devido à pressão de deputados desses partidos e, se o acordo for desfeito, o presidente da Câmara deve promover retaliações posteriores.