Perguntado sobre a Covaxin, Bolsonaro se descontrola e volta a insultar jornalistas

Bolsonaro participava de uma inaguração em Sorocaba, no interior de São Paulo

Jair Bolsonaro (sem partido)

Bolsonaro também conferiu as obras na Arena Condá, em SC, e marcou um gol simbólico. | Isac Nóbrega/PR

Em mais um episódio de ofensas a jornalistas, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) insultou repórteres nesta sexta-feira (25) ao se exaltar quando questionado sobre a vacina Covaxin, cuja suspeita de irregularidade na negociação para a compra pelo governo federal é investigada por Procuradoria e CPI da Covid no Senado.

Bolsonaro participava de uma inaguração em Sorocaba, no interior de São Paulo, e foi indagado sobre o caso da vacina indiana.

O presidente chegou ao local sem máscara e acenando aos apoiadores, de pé na porta de um carro. Em seguida, falou por cerca de 20 minutos com jornalistas, mostrando-se impaciente com perguntas, em especial vindas de repórteres mulheres.

A uma das delas, disse que deveria voltar para a faculdade. Em outras respostas à essa jornalista, afirmou que ela tinha que retornar ao primário e nascer de novo.

“Onde tem vacina [em fevereiro]? Responda! Onde é que tem vacina na prateleira para ser vendida? Para de fazer pergunta idiota, pelo amor de Deus, nasça de novo você”, afirmou. “Ridículo, tá empregada onde? vamos fazer pergunta inteligente, pessoal.”

Bolsonaro afirmou em Sorocaba que a Polícia Federal irá abrir inquérito sobre a vacina – um dia antes não havia nenhum registro do tipo, segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo.

Nesta sexta, o presidente tachou quase todas as perguntas sobre o caso de idiotas. “Foi comprada uma ampola sequer da Covaxin? Responda! Foi comprada uma ampola?”, disse a uma jornalista. “Pare de fazer pergunta idiota, por favor.”

“Se é para você me julgar pelo que alguns pensam, imagine o que posso pensar de você?”, respondeu em outra ocasião.

O principal alvo de Bolsonaro na entrevista foi a repórter Victoria Abel, da rádio CBN, que se manifestou em nota sobre o ataque do presidente. “Não foi à repórter que faltou educação nesse episódio. A CBN se solidariza com Victoria Abel, que, assim como todos os nossos jornalistas, continuará a fazer seu trabalho para informar os brasileiros.”