Pesquisa revela que 61% dos profissionais pretendem mudar de emprego em 2026

Queda do desemprego e exigências dos profissionais impulsionam a mudança no mercado de trabalho

Semana inicia com oportunidades em 14 agências do trabalhador

Com o mercado aquecido, profissionais ganham confiança para trocar de emprego | Freepik

A maioria dos brasileiros pretende trocar de emprego em 2026, é o que indica levantamento da Robert Half, empresa global especialista em contratação. Cerca de 500 profissionais qualificados — com pelo menos 25 anos e superior completo — participaram da pesquisa realizada em novembro de 2025. 

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As motivações vão desde maior exigência por parte dos funcionários até resquícios da pandemia de Covid-19, aponta Luiz Vagner Raghi, Mestre em Gestão de Pessoas e professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie. 

Por que os profissionais estão mudando de emprego

Cerca de 61% dos profissionais querem um novo emprego em 2026. Um aumento de sete pontos percentuais em relação aos últimos 12 meses. Jovens talentos gostam de ver propósito naquilo que fazem, então as empresas precisam estar atentas a esse aspecto.

Em novembro de 2025, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estáticas (IBGE) registrou o menor índice de desemprego desde o início da série histórica em 2012. O valor é de 5,9 milhões de pessoas. Uma queda de quase 12% em relação ao mesmo período de 2024.

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Esse momento é conhecido como pleno emprego, ou seja, a grande maioria dos desempregados é formada por pessoas que estão mudando de trabalho. Trabalhadores na faixa dos 20 anos (geração Z) que desenvolveram sua mente no ambiente digital. 

“Costuma-se dizer que possuem mente líquida e enfrentam dificuldades para se adaptar ao mercado de trabalho, que, normalmente, é constituído de regras, regulamentos, hierarquia, pressão por resultados e produtividade”, comenta Raghi.

Uma onda de saúde mental — que cresceu com o fim da pandemia—, também influência na rotatividade de empregos. 

O especialista explica que os trabalhadores rejeitam a falta de flexibilidade em horários de trabalho, percepção de falta de ética nas empresas, liderança tóxica ou mesmo ambientes tóxicos — grande pressão por resultados.

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O que as empresas podem fazer

Para reter os profissionais, Raghi recomenda que as lideranças invistam em treinamento e desenvolvimento de jovens talentos. Ainda alerta que as empresas devem olhar para os profissionais 50+, que possuem saúde e vigor para continuar a sua jornada de trabalho. 

“Estão acostumados ao ambiente corporativo e necessitam apenas de capacitação em informática”, afirma. Em geral, quatro pontos são os mais citados pelo professor do Mackenzie: 

  1. Falta de flexibilidade nos horários de trabalho. As últimas pesquisas indicam tendência ao trabalho híbrido com 3 dias presenciais e 2 dias remoto;
  2. Falta de ambientes de trabalho mais descontraídos;
  3. Falta de uma liderança flexível que inspira e orienta os subordinados em relação a aspectos profissionais e pessoais;
  4. Falta de uma gestão participativa, onde os trabalhadores possam opinar sobre o que fazem e como fazem.

Outro ponto de atenção é a pressão no ambiente de trabalho, danosa para a empresa e para o trabalhador. A mente da passa a funcionar de forma precária, com dificuldades de acesso à memória. 

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“Fica evidente que muitos não suportam a pressão e vão em busca de novas oportunidades. Como docente e orientador de carreira, já presenciei muitas situações de alunos trocaram de emprego para ganhar menos, mas com ambiente de trabalho melhor”, argumentou. 

O acordo é o melhor caminho, pois a rotatividade é danosa para ambos os lados. 

Com rotatividade exacerbada, a corporação é prejudicada pela qualidade e produtividade,“ incorre em custos elevados como desligamentos, processos seletivos e adaptação do novo funcionário ao posto de trabalho”.

No caso do trabalhador, chegará o momento em que a empresa contratante perguntara a ele: ‘quanto tempo você pretende permanecer aqui se for contratado?’. Vai ser difícil comprovar um compromisso de longo prazo com a empresa.