A ampliação das relações comerciais entre Brasil e países africanos passa por um novo momento de oportunidades, segundo o presidente da Afrochamber, Rui Mucaje. Em entrevista à Gazeta, ele defendeu maior integração econômica, combate à desinformação sobre o continente e incentivo à internacionalização de empresas brasileiras.
De acordo com Mucaje, ainda predomina no Brasil uma visão limitada sobre a África, frequentemente associada a problemas sociais e econômicos, enquanto o continente vive um processo de transformação.
“Precisamos comunicar que existe um lado positivo e muitas oportunidades de negócios”, afirmou.
O dirigente destacou que a entidade, que completa 54 anos, atua como ponte entre o Brasil e os 55 países africanos. Segundo ele, a proposta é ampliar o fluxo de informações e incentivar parcerias comerciais em diferentes setores.
Entre os exemplos citados está Ruanda, apontado como um caso de desenvolvimento recente. O país, que enfrentou conflitos nas décadas de 1980 e 1990, hoje apresenta avanços em segurança, tecnologia e participação feminina no governo, com mulheres ocupando mais de 50% dos cargos públicos.
Investimentos estrangeiros
Para Mucaje, o continente está aberto a investimentos estrangeiros, incluindo brasileiros/Yuri Villaça/Gazeta de S. PauloPara Mucaje, o continente está aberto a investimentos estrangeiros, incluindo brasileiros.
“África está aberta para negócios”, disse, ao mencionar missões empresariais organizadas em parceria com o governo brasileiro e a ApexBrasil.
Ele também ressaltou o potencial de mercados regionais. No norte, países como Marrocos se destacam por investimentos em infraestrutura e preparação para grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2030.
No leste, Etiópia e Quênia apresentam crescimento econômico e atração de investimentos. Já no oeste, a Nigéria, com cerca de 230 milhões de habitantes, é apontada como o maior mercado consumidor do continente.
No sul, a África do Sul mantém papel estratégico, inclusive dentro do bloco BRICS, enquanto países lusófonos como Angola e Moçambique facilitam a aproximação com o Brasil pela língua e por laços históricos.
Apesar desse cenário, Mucaje avalia que o Brasil ainda explora pouco seu potencial externo. Segundo ele, o país tem tradição voltada ao mercado interno e baixa cultura exportadora, especialmente entre pequenas e médias empresas. “O Brasil não visualiza muitas oportunidades fora, e isso precisa mudar”, disse.
Influência brasileira
O executivo também destacou a influência cultural brasileira no continente, impulsionada por produtos como novelas, que ajudam a fortalecer a imagem do país e estimular o comércio, especialmente em países como Angola.
Ao abordar a relação histórica entre Brasil e África, Mucaje reconheceu o impacto da escravidão, mas defendeu que a conexão atual pode ser transformada em oportunidades. Para ele, o avanço passa por investimento em educação e maior protagonismo econômico da população afrodescendente.
Por fim, o presidente da Afrochamber reforçou que o Brasil tem vantagens competitivas em áreas como agricultura tropical, indústria alimentícia e tecnologia, e pode ocupar papel relevante na cooperação com países africanos.
“É preciso que o brasileiro enxergue o próprio potencial e se posicione melhor no cenário internacional”, afirmou.
