Primeiro caso de varíola dos macacos no Brasil é confirmado em SP

Paciente é um homem de 41 anos que viajou à Espanha

Na Capital, houve aumento de 61% nos atendimentos de pessoas com problemas respiratórios em novembro

Movimentação em hospital | Felipe Barros/Ex Libris/PMI

Foi confirmado na tarde desta quarta-feira (8) o primeiro caso de varíola dos macacos no Brasil. O paciente é um homem de 41 anos que viajou à Espanha. Ele está em isolamento no Hospital Emílio Ribas, na zona oeste da capital.

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Além deste primeiro caso confirmado, uma mulher de 26 anos está sendo monitorada por ser um caso suspeito da doença na cidade de São Paulo.

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De acordo com o prefeito Ricardo Nunes (MDB), a paciente passa bem. A fim de identificar possíveis outras contaminações, a Prefeitura acompanha também familiares e pessoas que residem próximo à mulher. A ideia é ter um rápido mapeamento da contaminação caso ocorra. 

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O governo do Estado já havia confirmado nesta segunda-feira (6) que um caso era investigado no território paulista. O texto conta com informações do “g1”.

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Por meio de nota, o governo de São Paulo afirmou que “no momento, o Centro de Vigilância Epidemiológico (CVE) estadual e a prefeitura de São Paulo investigam um paciente para descartar qualquer hipótese da doença”.

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Até o momento não existe no Brasil nenhum caso confirmado da doença. Em nota divulgada nesta segunda (6), o Ministério da Saúde informou que sete casos estão em investigação.

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Há dois casos em monitoramento em Rondônia. Os estados de Santa Catarina, Ceará, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e São Paulo têm um caso suspeito cada um.

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De acordo com o Ministério, os pacientes “seguem isolados e em recuperação, sendo monitorados pelas equipes de vigilância em saúde. A investigação dos casos está em andamento e será feita coleta para análise laboratorial”.

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Quão mortal é a varíola dos macacos?

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“Felizmente, a varíola dos macacos é muito mais branda do que a versão humana da varíola”, explica Raúl Rivas González, professor de microbiologia da Universidade de Salamanca, na Espanha, à BBC News Mundo.

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A varíola humana tinha duas versões: varíola maior e varíola menor. A maior era a mais mortífera — com mortalidade em 30% dos casos de infecção. A menor causava doenças mais leves e raramente levava à morte.

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Algo parecido acontece com a varíola dos macacos, embora com taxas de mortalidade mais baixas. Existem duas versões: da África Ocidental e da África Central.

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“A da África Ocidental é a mais branda, com mortalidade entre 1% e 10%, e parece ser a que está causando o surto na Europa”, diz Rivas. “A da África Central, por outro lado, é mais virulenta e perigosa e pode matar cerca de 20% dos infectados”, acrescentou.

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TRANSMISSÃO

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Ao contrário do coronavírus ou até mesmo da varíola humana, em que o patógeno é altamente transmissível, a varíola dos macacos é menos contagiosa.

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“É um vírus que transmite muito bem entre animais, mas quando ele passa de animal para humano, ele não tem alta capacidade de transmissão”, disse o especialista Lorenzo Morales.

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Até onde se sabe agora, o vírus é transmitido principalmente por meio de contatos próximos e trocas de fluidos corporais. Muitos dos casos na Europa parecem estar ligados à transmissão sexual. Mas todas as vias possíveis estão sendo estudadas, como a transmissão indireta por meio de objetos contaminados e até aerossóis.

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“A varíola erradicada era transmitida de forma semelhante, mas o contágio entre humanos era muito mais fácil”, lembrou Lorenzo.

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SINTOMAS

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Em ambas as doenças, o quadro clínico começa de forma semelhante, embora seja um pouco mais suave na varíola dos macacos.

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“Como na maioria das infecções, elas começam com febre e também é comum ter desconforto corporal, fadiga, dores musculares e dor de garganta”, descreveu Rivas, outro especialista.

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Além disso, em ambas as doenças também se desenvolvem as inconfundíveis pústulas cutâneas (bolinhas na pele), que podem deixar cicatrizes visíveis na pele dos pacientes.

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“Com o passar dos dias, a varíola do macaco costuma inchar os gânglios linfáticos, tanto cervicais, maxilares, axilares e na virilha. Isso não aconteceu com a varíola humana”, disse Rivas.

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O período de incubação da varíola dos macacos é geralmente de 7 a 14 dias, mas pode variar entre 5 e 21 dias.

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No caso da varíola, a incubação pode durar entre 7 e 19 dias, embora a duração média tenha sido entre 10 e 14 dias.

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TRATAMENTO

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A varíola foi erradicada graças a uma campanha histórica de vacinação que pôs fim a milhares de anos de mortes causadas pelo patógeno.

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Como o vírus da varíola do macaco tem relação com a varíola humana, a vacina contra a varíola também se mostrou eficaz para ambas as doenças.

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Nesse caso, as pessoas com mais de 55 anos que foram vacinadas contra a varíola humana antes de sua erradicação podem ter uma imunidade considerável contra a varíola dos macacos.

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Os tratamentos disponíveis são principalmente paliativos para os sintomas. Lorenzo Morales diz não haver tratamento específico para a doença.

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“Por se tratar de um patógeno que tem afetado principalmente a África e não os países desenvolvidos, não se investe o suficiente na busca de tratamentos”, diz ele.

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No entanto, há uma diferença muito grande entre a varíola dos macacos e a que foi erradicada: o avanço da ciência e do conhecimento nos últimos anos.