A rede Savegnago Supermercados decidiu ampliar para todas as suas unidades o modelo de jornada 5×2, encerrando a adoção da escala 6×1 em suas operações.
A mudança começa a valer a partir de fevereiro e também alcança parte das lojas do Paulistão Atacadista, que pertence ao mesmo grupo.
A mudança ocorre em meio ao debate nacional sobre o fim da escala 6×1, que ganhou força em 2025 e segue em discussão no Congresso Nacional.
Mudanças
A decisão foi tomada após a experiência de um projeto-piloto iniciado em uma unidade de Indaiatuba, inaugurada em novembro de 2025.
Segundo a empresa, o novo formato mantém a carga semanal de 44 horas prevista na legislação trabalhista, mas redistribui a jornada em cinco dias de trabalho e dois de descanso. Na prática, os funcionários passam a cumprir jornadas diárias de 8h48, em vez das 7h20 da escala 6×1, garantindo dois dias de folga por semana.
O modelo foi posteriormente adotado em lojas de Campinas, Sumaré, Hortolândia e em unidades do Paulistão Atacadista em cidades como Barretos, Sertãozinho e Franca, com avaliação considerada positiva pela administração.
Com a ampliação, o Savegnago se junta a um grupo ainda restrito de empresas do varejo e de serviços que optaram por rever a escala tradicional, especialmente em setores que operam aos fins de semana e feriados.
Atualmente, o Grupo Savegnago possui mais de 70 unidades entre supermercados e atacarejos no interior de São Paulo e emprega mais de 14 mil trabalhadores. A empresa afirma que a reorganização da jornada não compromete o funcionamento das lojas nem a cobertura de turnos, baseada em sistemas de rodízio interno.
Fim da escala 6×1
Em dezembro do ano passado, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 148/2025, que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, sem corte de salários.
O texto da PEC cria uma transição gradual para a nova jornada:
- 1º ano após a aprovação: jornada máxima cai de 44 para 40 horas semanais;
- Anos seguintes: redução de 1 hora por ano, até chegar às 36 horas semanais no quinto ano;
- Fim da escala 6×1: o limite passa a ser de cinco dias de trabalho por semana, com dois dias de descanso, preferencialmente no sábado e domingo;
- Sem redução de salário.
O relator defendeu que a medida traz benefícios sociais e econômicos. “Mais de 150 milhões de brasileiros serão impactados”, afirmou Carvalho, argumentando que a jornada atual aumenta riscos de acidentes, reduz a qualidade do trabalho e prejudica a saúde.
A proposta também cita o Movimento Vida Além do Trabalho, mobilização nacional que cresceu nas redes sociais e criticou a escala 6×1 por considerá-la exaustiva e incompatível com vida pessoal e familiar.
A aprovação como extra-pauta foi contestada pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), que reclamou não ter podido pedir vista. O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), rebateu afirmando que o tema já havia sido debatido em três audiências públicas.
