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Sabesp anunciou boletim de resultados do trimestre | Imagem: Reprodução
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) anunciou que o lucro da empresa no segundo trimestre de 2025 foi de 2,1 bilhões. Mas o resultado da empresa está cercado de polêmicas, incluindo clientes reclamando do valor da conta de água.
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A Sabesp foi concedida para a iniciativa privada em 2024 e desde então toma medidas para aumentar os ganhos e diminuir os custos da operação de água e esgoto na capital paulista.
Segundo a empresa, 11% do corpo de funcionários foi dispensado, o que gerou retorno de 77 milhões no segundo trimestre de 2025, e novas tarifas contribuíram para o lucro. Entenda melhor o resultado e as polêmicas.
Uma das medidas mais polêmicas tomadas pela empresa para aumentar a taxa de lucro foi acabar com os contratos “demanda firme”. Esses eram contratos com desconto dados a setores estratégicos que utilizam muita água, como hospitais, museus e shoppings.
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Segundo o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais, o aumento pode chegar a 200% nos setores estratégicos de consumo. Os sindicalistas mineiros lutam para que as medidas de desestatização de São Paulo não sejam replicadas em Minas.
A Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplante (ABCDT) chegou a entrar com ação judicial contra o corte brusco dos descontos. Segundo Luciano Bonaldo, vice-presidente da entidade em São Paulo, afirmou que o fim dos contratos vai diminuir o número de diálises realizadas.
Outro cliente afetado pela redução dos descontos é a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). A conta de água da maior rede de abastecimento alimentício da América Latina e terceira maior do mundo pode dobrar com a medida, passando para R$ 2 milhões.
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O Cagesp chegou a afirmar em nota que a empresa está se aproveitando do monopólio da distribuição de água em São Paulo e que é “evidente” que o aumento será repassado para o consumidor final, implicando “na inflação do preço dos produtos alimentares à população”.
À essas críticas, a Sabesp responde que por não ser mais uma empresa totalmente estatal, não possui mais compromisso social. A preocupação da empresa passa a ser com o lucro e com a expansão do serviço.
“A Sabesp não é mais controlada pelo Estado. Quem tem que fazer essa política pública é o Estado”, declarou o CEO da Sabesp Carlos Piani. Apesar da afirmação, o governo ainda possui cerca de 18% das ações da companhia.
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Outra polêmica que rodeia a Sabesp desestatizada é a maneira como o esgoto é manejado na metrópole. Em junho de 2025, para esvaziar uma tubulação rompida, a empresa despejou o equivalente a 86 piscinas olímpicas por dia de esgoto no Rio Tietê por três dias.
Mesmo tendo sido um plano de emergência, para consertar a tubulação que causou uma “cratera” na Marginal Tietê, uma das principais vias da capital paulista, o despejo preocupa especialistas.
Cesar Pegoraro, educador do SOS Mata Atlântica, declarou ao g1 que o despejo “bota a perder anos de luta” pela despoluição da bacia do Tietê: “Há uma perda bastante expressiva em todo um trabalho feito em prol da despoluição do rio Tietê que já tem mais de três décadas”.
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Procurada pela reportagem, a Sabesp não se pronunciou sobre as questões levantadas. Caso respondam, a matéria será atualizada.
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