SP: Antibiótico é o medicamento que mais falta, dizem farmacêuticos

Segundo o levantamento, feito com 1.152 farmacêuticos de todas as regiões do estado, 98,5% dos profissionais disseram sofrer com o desabastecimento de remédios

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Medicamentos | Thiago Neme/Gazeta de S. Paulo

Uma pesquisa feita pelo CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia de São Paulo) identificou que os antibióticos estão entre os medicamentos com maior escassez no mercado. Remédios simples e classificados como essenciais, como amoxicilina e azitromicina, são os que mais faltam nas farmácias paulistas.

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Segundo o levantamento, feito com 1.152 farmacêuticos de todas as regiões do estado, 98,5% dos profissionais disseram sofrer com o desabastecimento de remédios. Entre as categorias que mais relatam ter dificuldade de comprar estão os antibióticos (93,5%), mucolíticos (76,5%), antialérgicos (68,6%) e analgésicos (60,5%).

A pesquisa foi feita, de forma online, entre os dias 19 e 30 de maio deste ano. No entanto, o conselho diz que o desabastecimento persiste, sem perspectiva de ações que solucionem o problema.

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É a situação que Ana Elisa tem enfrentado pela segunda vez. No início de maio, o filho mais novo de 5 anos teve uma otite e precisou tomar azitromicina. Ela demorou quatro dias para encontrar o remédio.

Agora, percorre as farmácias novamente atrás do mesmo medicamento para o filho mais velho, de 7 anos, que está com faringite. “Na primeira vez, achei que fosse uma falta esporádica pela entrada do outono e aumento das doenças respiratórias em crianças. Estou chocada em saber que o problema continua.”

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Outra pesquisa, feita pelo CFF (Conselho Federal de Farmácia), também identificou que 97,4% dos profissionais da área da saúde tiveram problemas com o desabastecimento de remédios imprescindíveis.

O levantamento foi realizado entre 21 e 26 de junho deste ano com 883 médicos, farmacêuticos, enfermeiros e administradores de unidades de saúde de todas as unidades da Federação.

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“Há meses estamos pedindo soluções para o problema e nada muda. Também não há previsão de mudança a curto prazo. Enquanto isso, a população vive uma situação sem precedentes de falta de remédios essenciais”, diz Luciana Canetto, vice-presidente do CRF-SP.

Os remédios que estão em falta nas farmácias e unidades de saúde do país estão listados na Rename (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais), feita pelo Ministério da Saúde.

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Um levantamento feito pelo Sindhosp (Sindicato dos Hospitais de São Paulo) entre os dias 1 e 14 de julho também identificou que os maiores problemas enfrentados pelas unidades nesse momento são a falta e o aumento de preço dos medicamentos.

Dos 67 hospitais ouvidos, 51% disseram ter dificuldades para lidar com o aumento de preço dos remédios e 19% com a falta deles. O desabastecimento afeta até mesmo a realização de exames, já que 13,3% disse estar com estoque baixo de meios de contraste para exames radiológicos. Também relatam falta de insumos básicos, como soro.

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Outra pesquisa também mostra a extensão do problema por todo o país. Segundo a CNM (Confederação Nacional de Municípios), 80% das prefeituras relataram sofrer com o desabastecimento de remédios. Dos que enfrentam a situação, 64,4% disseram que a falta persiste há mais de 30 dias.

Dos 2.649 municípios, 68% disseram que a maior dificuldade tem sido para comprar antibióticos e 65,6% para encontrar dipirona.