Tarcísio encontra Lula e tenta convencê-lo a não barrar privatização do Porto de Santos

A sinalização de que o processo de desestatização do porto de Santos seria paralisado já tinha sido dada pela equipe de transição do governo

Santos, que tem o principal Porto da América Latina, é a 13ª cidade mais inteligente do País

Porto de Santos | Arquivo/DL

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se reuniu nesta quarta-feira (11) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e tentou convencê-lo a desistir da ideia de barrar a privatização do porto de Santos, o maior da América Latina.

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Este foi o primeiro encontro fechado do ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL) com o petista. Tarcísio foi alvo de críticas da militância por ter participado de reunião de governadores com Lula, na última segunda-feira (9).

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“Na campanha, falei que respeitaria e trabalharia com todos os governadores, pelo bem do Brasil. É o que estamos fazendo”, disse Lula nas redes sociais sobre o encontro.

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Participaram da reunião no Palácio do Planalto, além de Lula e Tarcísio, os ministros Alexandre Padilha (Relações Institucionais) e Rui Costa (Casa Civil), além do secretário de Governo e Relações Institucionais de São Paulo, Gilberto Kassab.

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A sinalização de que o processo de desestatização do porto de Santos seria paralisado já tinha sido dada pela equipe de transição do governo, que recomendou ao presidente privatizar os canais de acesso ao porto.

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De acordo com interlocutores do governador, ele saiu animado da conversa, que descreveram como inicial para mostrar como o tema é importante para a Baixada Santista.
Eles disseram também que Tarcísio estaria aberto a adequar o modelo de desestatização, mas sem detalhes.

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O modelo, projeto conduzido e defendido por Tarcísio quando ele era ministro da Infraestrutura de Bolsonaro, prevê investimentos privados de ao menos R$ 30 bilhões para ampliar a capacidade de escoamento do porto.

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A proposta é transferir a autoridade portuária -estatal que administra o local, armazéns, pátios, canais, vias terrestres e ferroviárias de acesso- para quem vencer o leilão.

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Essa modelagem foi aprovada pelo TCU (Tribunal de Contas da União), uma espécie de sinal verde antecipado para que Lula decidisse o que fazer em relação ao porto.

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Com a decisão de Lula de retirar o porto do Plano de Desestatização Nacional, a saída para melhorar a infraestrutura seria por meio de concessões dos terminais portuários e destinação de recursos do

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Orçamento para ampliar a malha ferroviária de acesso, que se interliga às demais vias que trazem produtos para exportação -especialmente a safra agrícola do Centro-Oeste e minérios.

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Hoje, o projeto prevê que atuais operadores em Santos possam se juntar em um consórcio para adquirir o porto, desde que sua participação fique restrita a 5% -forma de evitar que um único grupo controle todo o porto.

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Técnicos envolvidos no projeto afirmam que a privatização somente do acesso ao porto restringe demais o interesse de grupos privados, o que retardaria investimentos para que o porto receba, nos próximos anos, muito mais carga.

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A privatização do porto foi idealizada pela equipe do ex-ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas -governador eleito de São Paulo. À época, a desestatização foi concebida por Tarcísio em conjunto com a de concessão ferroviárias, especialmente as que partem do Centro-Oeste transportando a safra agrícola para Santos.

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Pelos contratos das concessões ferroviárias, o volume de carga transportada deverá dobrar em decorrência de investimentos previamente definidos.

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Hoje, o porto não tem vias ferroviárias e terminais adequados para atender a essa demanda futura.

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Caso esses investimentos não sejam realizados com a futura mudança de curso pelo novo governo, haverá uma reação em cadeia, impondo um desequilíbrio financeiro às concessões ferroviárias.

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Isso porque elas não terão a receita necessária. Diante da incapacidade de escoamento no porto, as cargas chegarão até lá, mas ficarão à espera de transbordo. Este cenário, ainda segundo técnicos do governo, levará ao escoamento pelo Norte ou a soluções mais caras, tornando as exportações menos competitivas.