‘Vítima não tem perfil específico’, afirma delegada

Em entrevista exclusiva, Nadia Ferreira Santos explica como é o trabalho da Delegacia de Defesa da Mulher de Moema

Delegada Nadia está à frente da 2ª DDM há quase dois anos

Delegada Nadia está à frente da 2ª DDM há quase dois anos | Foto: Thiago Neme/Gazeta de São Paulo

“Independentemente de ser agosto, mês dedicado ao combate à violência doméstica, todo dia é dia de combater a violência contra a mulher”. A frase é da delegada titular da 2ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Paulo, Nadia Ferreira Aluz Santos.

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Policial há mais de 15 anos, a delegada diz que hoje as mulheres têm mais coragem e independência para denunciar seus agressores. Em entrevista exclusiva à Gazeta, Nadia considera o aumento de notificações sobre crimes contra a mulher positivo.

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Ela é responsável por uma DDM que atende dez distritos da cidade de São Paulo, nos quais estão bairros da zona sul mais próximos ao Centro (Vila Mariana, Brooklin, Campo Belo, Moema, Americanópolis, Heliópolis, Ipiranga, Jabaquara e Sacomã).

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“Não significa que os casos vêm aumentando, mas, sim, que as mulheres estão se sentindo mais seguras para denunciar”, diz.

A titular acredita que o aumento da divulgação de casos na mídia e palestras sobre violência doméstica tenham contribuído com as denúncias. “A gente nota que mais mulheres estão decididas a encerrar o ciclo de violência, procurando a polícia para os agressores serem responsabilizados. Antes, devido à cultura patriarcal e machista, muitas mulheres não se reconheciam como vítimas”.

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Segundo a delegada, as mulheres tinham receio de denunciar os agressores por medo do julgamento moral dos policiais, ou de represálias feitas pelo agressor. Outros fatores que as inibem são as dependências financeira e emocional dos cônjuges.

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“Há a questão dos filhos também. Muitos desses agressores usam o filho como chantagem para evitar a separação. Então, essas mulheres acabam permanecendo nesses relacionamentos abusivos, sendo vítimas de inúmeros crimes e situações degradantes”.

Atuação da DDM

A 2ª DDM abrange uma população de cerca de 1,5 milhão de habitantes. E tem como atribuições atender as mulheres que sofrem violência doméstica, crianças e adolescentes vítimas de violência e mulheres que sofrem violência sexual, mesmo que elas tenham um relacionamento com o agressor.

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“Nossa missão à frente da DDM não é apenas investigar esses crimes, mas também fazer ações de conscientização. A gente vai a comunidades, escolas, Centros de Referência de Atendimento a Mulher… A atuação da polícia em DDM não é restrita apenas à investigação, temos também essa função de orientar e conscientizar”, explica Nadia.

A delegada enfatiza a busca das mulheres por ajuda não somente na região da sua DDM. “Notamos o aumento expressivo das notificações não só no âmbito da 2ª DDM, mas em todo o Brasil. Isso porque mais mulheres estão seguras para denunciar e estão confiando no trabalho da polícia e no sistema de justiça criminal.”

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Sem distinção

“A gente não tem apenas a vítima da periferia, apenas a vítima do bairro nobre. É algo que atinge todas as classes sociais”, afirma Nadia.

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“Temos aqui bairros muito nobres, Moema, Vila Clementino, Vila Mariana, Brooklin… e vemos muitas vítimas que têm doutorado. Médicas, advogadas, farmacêuticas, dentistas, elas são vítimas da mesma forma. O fenômeno da violência doméstica não está restrito às camadas mais baixas da população, está em todos os segmentos da sociedade”, finaliza.