O Mercosul surgiu como um projeto de integração regional entre países da América do Sul e foi formalizado em 1991, com a assinatura do Tratado de Assunção por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
A ideia, no entanto, começou a tomar forma ainda na década de 1980, quando Brasil e Argentina passaram a se aproximar após o fim das ditaduras militares, buscando cooperação econômica e política em um cenário internacional cada vez mais competitivo.
Nesse período de transição democrática e abertura econômica, as duas maiores economias do Cone Sul passaram a ver a integração regional como uma forma de superar rivalidades históricas, ampliar mercados e atrair investimentos.
A Declaração de Iguaçu, assinada em 1985, e o Tratado de Integração, Cooperação e Desenvolvimento, firmado em 1988, foram passos decisivos dessa aproximação, criando as bases políticas e técnicas para a formação de um mercado comum.
Primeiros passos da integração
A reaproximação entre Brasil e Argentina marcou o fim de décadas de desconfiança, especialmente em temas sensíveis como fronteiras, uso de recursos naturais e desenvolvimento nuclear.
Com o fortalecimento do diálogo diplomático, os dois países iniciaram negociações voltadas à redução gradual de barreiras comerciais e à coordenação de políticas econômicas.
Esse movimento bilateral logo despertou o interesse de outros países do Cone Sul, em especial Paraguai e Uruguai, que já mantinham relações comerciais intensas com seus vizinhos maiores.
Para essas nações, participar de um bloco regional significava ampliar o acesso a mercados, fortalecer a segurança política e ter maior influência nas decisões estratégicas da região.
Tratado de Assunção e criação formal
O momento decisivo ocorreu em 26 de março de 1991, na cidade de Assunção, capital do Paraguai, quando Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai assinaram o Tratado de Assunção.
O acordo criou oficialmente o Mercado Comum do Sul, o Mercosul, com o objetivo de estabelecer uma zona de livre comércio e, de forma gradual, avançar para uma união aduaneira e um mercado comum.
O tratado definiu um cronograma para a eliminação de tarifas internas, a redução de barreiras não tarifárias e a coordenação de políticas macroeconômicas entre os países-membros.
Também estabeleceu que a sede administrativa do bloco seria em Montevidéu, no Uruguai, reforçando a ideia de equilíbrio e compartilhamento da liderança regional.
Consolidação institucional do bloco
Após a criação formal, tornou-se necessário estruturar o Mercosul como uma organização internacional.
Esse avanço ocorreu em 1994, com a assinatura do Protocolo de Ouro Preto, que concedeu personalidade jurídica ao bloco e organizou seus principais órgãos decisórios e executivos.
Com o Protocolo de Ouro Preto, o Mercosul passou a funcionar como uma união aduaneira, adotando uma Tarifa Externa Comum para o comércio com países de fora do bloco.
A partir desse momento, os países-membros passaram a negociar acordos comerciais de forma conjunta, fortalecendo sua atuação no cenário internacional.
Contexto internacional e motivações
A criação do Mercosul está diretamente ligada ao contexto do pós-Guerra Fria, marcado pela intensificação da globalização e pela formação de grandes blocos econômicos, como a União Europeia e o Nafta.
Diante desse cenário, os países sul-americanos perceberam que, isoladamente, teriam menor poder de negociação e maiores dificuldades para competir com economias mais desenvolvidas.
Além dos objetivos econômicos, a integração regional também atendeu a interesses políticos. A cooperação ajudou a consolidar democracias recém-restauradas e a reduzir o risco de conflitos na região.
Ao promover o diálogo permanente e a interdependência econômica, o Mercosul consolidou-se como um instrumento de estabilidade e cooperação no Cone Sul.
