Fim do Imposto de Renda? Governo prepara mudança histórica no IR

Ministério da Fazenda quer zerar o preenchimento manual da declaração nos próximos anos; saiba como vai funcionar o "IR Automático" e o impacto no seu bolso.

O governo federal planeja extinguir a digitação passo a passo do Imposto de Renda nos próximos anos, reduzindo a dor de cabeça anual a uma rápida checagem de valores na tela. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Aquela velha rotina de procurar recibos, informes de rendimentos e digitar códigos no programa da Receita Federal está com os dias contados. O Ministério da Fazenda quer acabar com o preenchimento manual da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) nos próximos dois a três anos, transformando a obrigação anual em uma simples conferência de dados.

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O plano do governo é acelerar o passo já no próximo ano fiscal, e o ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, defende que, com o nível de digitalização do país, obrigar o cidadão a preencher formulários do zero virou perda de tempo.

Ele pontua que, com todo mundo já declarando obrigações no dia a dia para a Receita, não faz sentido exigir que o contribuinte gaste tempo útil da sua vida para prestar informações que o Fisco, muitas vezes, já tem em mãos.

Como vai funcionar o “IR Automático”?

Para que o modelo saia do papel, a Receita Federal trabalha nos bastidores para cruzar, de forma ainda mais fina, os dados públicos e privados.

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O motor do novo sistema vai rodar integrado a três pilares que já sabem quase tudo sobre a vida financeira do cidadão; as empresas, que enviam salários e bônus; as instituições bancárias, com o histórico de contas e investimentos; e o setor de saúde, por meio de dados diretos de convênios médicos, clínicas e hospitais.

Na prática, o papel do contribuinte muda de chave, limitando-se a acessar o sistema, revisar a proposta montada pelo Leão e dar o clique final de validação.

Apesar do otimismo do escalão em Brasília, o Palácio do Planalto prega cautela e projeta uma migração gradual. Como o sistema ainda depende de terceiros informarem tudo sem erros, a recomendação de ouro da Receita continua sendo a conferência minuciosa.

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Afinal, um deslize de digitação do plano de saúde ou da empresa parceira ainda pode jogar o cidadão direto na malha fina. O cronograma do novo software segue em desenvolvimento pelo corpo técnico do Fisco, que promete apresentar as próximas etapas de desobrigação antes do início do próximo ciclo de arrecadação.