Um projeto de lei orçamentária foi enviado pelo governo federal dois meses atrás, projetando o salário mínimo de R$ 1.717 a partir de 1º de janeiro de 2027. O valor representa um aumento de R$ 96 (alta de 5,92%) em relação ao piso nacional de R$ 1.621 vigente em 2026.
Contudo, o reajuste previsto para o próximo ano enfrenta um obstáculo burocrático em Brasília: o atraso na votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
A LDO orienta a elaboração do Orçamento da União. Pela Constituição, o texto deveria ter sido votado antes do recesso parlamentar de julho, mas a proposta (PLN 2/2026) segue estagnada na Comissão Mista de Orçamento (CMO).
O novo valor vem acompanhado de planejamento econômico governamental
Para chegar no aumento, o planejamento econômico do governo adotou os seguintes parâmetros:
- Inflação estimada: 3,04%
- Crescimento do PIB: 2,56%
- Taxa de juros (Selic média): 10,55%
- Cotação do Dólar: R$ 5,47
É importante ressaltar que por se tratar de uma projeção orçamentária, os índices podem sofrer ajustes até a aprovação final do Orçamento, acompanhando as oscilações da economia.
O atraso no Congresso pode adiar o aumento no meu bolso?
Dificilmente o reajuste deixa de valer em 1º de janeiro, mas o atraso cria riscos no serviço público.
Pela Constituição, o novo salário mínimo sempre entra em vigor no primeiro dia do ano. Porém, quando o Congresso deixa a votação do Orçamento para a última hora, podem acontecer cortes. Em votações feitas na correria de fim de ano, deputados e senadores costumam cortar verbas de serviços essenciais (como saúde, transporte e postos do INSS) para ajustar as contas às pressas.
Além disso, se o Orçamento de 2027 não for aprovado até 31 de dezembro, o governo entra no ano novo sob “regime de recesso”. Isso significa que ele só pode gastar o mínimo básico para manter a máquina rodando, com possibilidade de atraso na liberação de novos benefícios, perícias do INSS e lote de restituições.
Existe algo que possamos fazer sobre isso?
O orçamento público é financiado pelos impostos do cidadão, e os parlamentares respondem diretamente à pressão popular, especialmente em ano eleitoral.
Se você quer cobrar agilidade e prioridade na votação das pautas do salário mínimo e do Orçamento, existem canais diretos e oficiais:
- Cobrar os parlamentares da Comissão Mista de Orçamento (CMO): A LDO está parada na CMO. Você pode enviar e-mails ou mensagens nas redes sociais dos deputados e senadores que fazem parte dessa comissão cobrando a votação da matéria.
- Usar o Portal e-Cidadania (Senado): O site do Senado permite acompanhar a tramitação do PLN 2/2026 (a LDO), deixar posicionamentos e participar de consultas públicas sobre o projeto.
- Canais do Alô Senado e Disque Câmara: É possível registrar manifestações, cobranças e sugestões de forma gratuita pelos telefones 0800 061 2211 (Senado) e 0800 061 0021 (Câmara).
Com as votações se aproximando, deputados e senadores acompanham de perto os comentários e cobranças em suas redes sociais oficiais. Cobrar posicionamento público sobre a garantia do salário mínimo é uma das formas mais diretas de gerar engajamento e cobrança.






