Preço da passagem aérea pode subir 20% em 2026; saiba os motivos

Disparada do querosene e guerra no Oriente Médio encarecem viagens no Brasil

A disparada de 55% no preço do querosene de aviação em 2026 torna o custo operacional das companhias insustentável sem o repasse para o consumidor final.

A disparada de 55% no preço do querosene de aviação em 2026 torna o custo operacional das companhias insustentável sem o repasse para o consumidor final. | Divulgação/GOL

O bolso do brasileiro deve sentir o peso do aumento do custo de viajar em 2026. Mesmo com reduções na gasolina, a passagem aérea tende a subir devido à disparada do querosene de aviação (QAV), que responde por quase metade dos custos das companhias.

O querosene de aviação representa entre 30% e 45% dos custos operacionais das empresas. Especialistas apontam que esse choque de oferta pode encarecer os bilhetes em até 20% nos próximos meses, mantendo as tarifas em patamares recordes.

Impacto do combustível de aviação nas tarifas

A Petrobras aplicou um reajuste superior a 50% no querosene de aviação em abril. O movimento acompanha a valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, que já fizeram o turismo global perder cerca de US$600 milhões por dia, segundo estudo citado pela Organização Mundial do Turismo.

Enquanto o governo tenta suavizar o impacto na bomba para motoristas, o setor aéreo sofre com a paridade internacional. O custo logístico elevado impede que a inflação de serviços recue no curto prazo para o consumidor final.

O limite do alívio da Petrobras em 2026

A redução de 5,2% na gasolina anunciada em janeiro ajuda o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), mas não é suficiente para equilibrar a cadeia. O diesel e o querosene de aviação seguem sob forte pressão, afetando diretamente o valor do frete e do transporte de passageiros.

Além do petróleo alto, a incidência de impostos estaduais e as margens das distribuidoras limitam o repasse das quedas. Esse cenário cria uma percepção de alívio insuficiente diante da alta agressiva de outros derivados.

Rotas nacionais com maiores altas de preços

Os dados de 2026 mostram que as rotas para a Região Norte continuam sendo as mais caras do país. Estados como Roraima Rondônia registram tarifas que chegam a dobrar a média nacional, que gira em torno de R$650.

Voos partindo de grandes centros, como São Paulo e Recife, também apresentam elevações expressivas. A baixa oferta de assentos em trechos específicos torna o planejamento de viagem mais complexo e custoso para as famílias brasileiras.

Perspectivas para o setor aéreo e inflação

A dinâmica de preços em 2026 reforça que o custo de viajar depende de fatores globais. A cotação do barril de petróleo próximo de US$115 anula o esforço doméstico de redução de preços isolados na refinaria.

Enquanto isso, propostas como o programa Voa Brasil, que pretendia ampliar a oferta de voos domésticos e reduzir tarifas, esbarraram em entraves burocráticos e regulatórios, o que reforça a dependência do setor de combustíveis e fretes para definir o ritmo de preços.

O cenário indica que a volatilidade externa continuará ditando o ritmo das tarifas domésticas. Com o querosene de aviação em patamares históricos, o setor aéreo projeta um ano de margens apertadas e pressão contínua sobre os índices de inflação de transportes.