São Paulo e Rio de Janeiro estão entre as cidades com menor custo para a compra de bebidas alcoólicas e cigarros no mundo, segundo levantamento do Deutsche Bank.
O dado surge em meio às discussões sobre a regulamentação da reforma tributária, que prevê a criação do Imposto Seletivo, conhecido como “imposto do pecado”, para produtos considerados nocivos à saúde.
O estudo internacional, divulgado no relatório “Mapeando os Preços do Mundo”, compara o valor de uma cesta formada por cinco cervejas e dois maços de cigarro em 69 cidades distribuídas por seis continentes.
Ranking
No ranking, o Rio de Janeiro aparece entre os menores preços, com custo estimado em US$ 11,7 (cerca de R$ 60), enquanto São Paulo registra US$ 13,7 (aproximadamente R$ 70). Apenas Xangai, na China, apresenta valor inferior ao da capital fluminense.
O resultado contrasta com a atuação de representantes das indústrias de bebidas e tabaco, que pressionam o governo para manter a atual carga tributária durante a definição das alíquotas do novo imposto. A proposta faz parte da reforma tributária e busca elevar a tributação sobre produtos prejudiciais à saúde, com o objetivo de reduzir o consumo e ampliar a arrecadação.
O Ministério da Fazenda já sinalizou a possibilidade de adotar um período de transição de um ano para a aplicação do Imposto Seletivo. A medida diverge da posição do Ministério da Saúde e de especialistas da área, que defendem a cobrança imediata e com alíquotas mais elevadas. Segundo interlocutores do governo, a flexibilização considera possíveis impactos políticos e econômicos da medida.
Além de bebidas e cigarros, o levantamento do Deutsche Bank analisou preços de outros itens de consumo, como vinhos, refeições em restaurantes, aparelhos eletrônicos e opções de lazer. No caso da cesta de cervejas e cigarros, cidades como Londres (US$ 63,9), Nova York (US$ 54,1), Tel Aviv (US$ 49,1) e Melbourne (US$ 111,2) registraram valores muito superiores aos encontrados nas capitais brasileiras.
