Bichos Escrotos: com nova versão na voz de Anitta, música do Titãs surgiu de encontro de cantor com uma barata

Entenda como o encontro inesperado de Nando Reis com uma barata deu origem a um dos maiores hinos de rebeldia do rock nacional

Banda Titãs e Anitta

Nova versão de 'Bichos Escrotos', clássico dos Titãs, agora traz a voz de Anitta na trilha sonora do filme 'Corrida dos Bichos'/Divulgação

Uma composição lançada há quatro décadas voltou a dominar as redes sociais recentemente. A nova versão de “Bichos Escrotos”, clássico dos Titãs, agora traz a voz de Anitta na trilha sonora do filme “Corrida dos Bichos”, disponível no Prime Video.

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Enquanto o duo Tropkillaz injeta batidas de funk e eletrônica na faixa, o público redescobre a origem curiosa e o peso histórico dessa canção emblemática.

O encontro inusitado no ralo

A gênese de um dos maiores sucessos do rock brasileiro não ocorreu em um estúdio sofisticado, mas sim em um pátio.

Durante uma sessão de gravação de uma demo dos Titãs, Nando Reis avistou uma barata saindo de um ralo. Ele dividia o espaço com Arnaldo Antunes e Sérgio Britto no momento exato da inspiração.

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Sem instrumentos em mãos, o trio concebeu ali mesmo a ideia que se tornaria “Bichos Escrotos”. Nando Reis, Arnaldo Antunes e Sérgio Britto assinam a composição, que utiliza ratos, baratas e pulgas como elementos centrais.

Uma metáfora contra os padrões

Para além da letra provocativa, a música carrega um simbolismo profundo sobre a identidade da banda. Os animais citados na letra funcionam como uma metáfora para o que os Titãs representavam no cenário artístico da época.

Os integrantes viam a si mesmos como figuras que não se encaixavam nos padrões estéticos, musicais ou comportamentais vigentes.

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Dessa forma, a exaltação desses “bichos” servia como uma homenagem ao universo que permanece à margem da sociedade, ignorando as divisões tradicionais entre o belo e o feio.

A luta contra a censura e o sucesso nas rádios

Embora a banda apresentasse a música em shows desde 1982, o regime militar impôs barreiras severas ao seu lançamento oficial. A ditadura brasileira proibiu a gravação da faixa por anos.

Somente em 1986, os Titãs conseguiram incluir a canção no álbum Cabeça Dinossauro, um dos discos fundamentais do rock nacional e de um significado profundo.

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Mesmo após o lançamento do álbum, a censura continuou a perseguir a obra, proibindo sua execução nas rádios devido aos palavrões, que representavam uma atitude transgressora para o período.

Contudo, o enorme volume de pedidos dos ouvintes forçou diversas emissoras a ignorar a proibição e tocar a música, mesmo sob o risco constante de multas.

Do rock clássico ao funk de Anitta

Atualmente, a obra vive uma nova fase de popularidade por meio da produção de Fernando Meirelles. A versão repaginada por Anitta abandonou a sonoridade roqueira original para abraçar o funk, gerando clipes virais em que ratos e baratas aparecem dançando.

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Apesar da nova roupagem, a música mantém sua essência provocativa. Como destacado pelo próprio Nando Reis, “Bichos Escrotos” permanece como um marco da desconsideração de padrões morais e musicais, provando que a mensagem de rebeldia dos Titãs continua relevante 40 anos depois.