Do sofá ao tapete vermelho: como se dá a escolha dos vencedores do Globo de Ouro

Dois jornalistas brasileiros, membros do júri da premiação, revelam os bastidores da votação que define as melhores produções audiovisuais da temporada

Globo de Ouro acontece neste domingo (11/1), em Los Angeles, nos Estados Unidos

Globo de Ouro acontece neste domingo (11/1), em Los Angeles, nos Estados Unidos | Divulgação

Uma das maiores premiações de cinema do mundo, o Globo de Ouro, acontece neste domingo (11/1). Em sua 83ª edição, o evento reúne e avalia as melhores obras do audiovisual internacional.

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Para conhecer melhor a premiação, a Gazeta foi atrás de dois dos jornalistas brasileiros que compõem o time de votantes do prêmio.

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Matheus Mans, jornalista e crítico de cinema, e Fernanda Ezabella, jornalista com vasta experiência em cultura e correspondente internacional em Los Angeles, falaram ao jornal sobre suas experiências e o caminho para se tornarem parte de um grupo de aproximadamente 334 profissionais que elegem os vencedores das categorias.

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Mais que um simples convite

Matheus conta que, para fazer parte do grupo de votantes, o profissional tem que se submeter a algo que se assemelha a um processo seletivo.

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Não é um convite que te faz entrar, mas sim um longo caminho que inclui o envio de inúmeros documentos e serve para comprovar que você e seu veículo possuem um trabalho constante e responsável na cobertura de cinema.

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“Não é um convite, mas quase um processo seletivo. Você se inscreve, envia inúmeros documentos e comprova que você e seu veículo possuem um trabalho constante e responsável na cobertura de cinema. Depois disso, recebemos a resposta de aprovação e começa a temporada”, afirma.

O jornalista ainda nos conta como é o processo após a entrada. Para ele, é nesse momento que as grandes oportunidades aparecem.

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Entrevistas exclusivas com grandes astros, o acesso antecipado ao catálogo do Globo de Ouro, são só alguns dos passos do trajeto até o dia da entrega dos prêmios.

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“São inúmeras oportunidades (de entrevistas, de exibições em Los Angeles e Nova York, com presença do elenco, e assim por diante) que buscam aproximar votantes de filmes, atores e diretores. Em determinado momento, estúdios, distribuidoras e produtoras começam a colocar os filmes na plataforma de streaming do Globo de Ouro”, diz.

Ainda antes do grande dia, os votantes têm a chance de votar. Segundo Matheus, são duas etapas de voto, que se dividem diferentemente.

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“Por fim, são duas etapas de voto: para os indicados, em que votamos em seis filmes/profissionais por categoria; e para os vencedores, em que votamos em um só”, finaliza.

Quem é?

Matheus Mans é jornalista especializado em artes e cultura, com mais de dez anos de experiência. Integrante do corpo de votantes do Globo de Ouro, escreve sobre cinema e televisão para publicações especializadas como Filmelier e Esquina da Cultura, além de grandes veículos de comunicação como o jornal O Estado de S. Paulo.

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Cobriu importantes festivais de cinema no Brasil e no exterior, incluindo o Festival Internacional de Cinema de São Paulo e o Festival Internacional de Cinema de Toronto.

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Filmes, eventos e artistas

De acordo com Fernanda, entre agosto e dezembro de 2025, foram 70 filmes vistos, metade em casa, na plataforma citada anteriormente, onde os filmes ficam disponíveis para quem irá votar.

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A outra parte, a jornalista diz que viu em eventos, junto à oportunidade de conversar com artistas depois das sessões.

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“A outra metade dos filmes eu vi em eventos aqui em Los Angeles, a maioria com um bate-papo com os artistas depois da sessão e uma recepção com comes e bebes. Às vezes, somos convidados para lançamentos grandiosos, como foi o de ‘Avatar’, no Dolby Theatre, com o elenco todo e uma festa depois com jantar”, comenta.

Mesmo com a grandiosidade e glamour do evento, a jornalista afirma que dentre todo o catálogo disponível há muita produção ruim.

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“No fundo, desses 70 filmes, tem muita coisa ruim. E lá por novembro eu já estava esgotada de ver tanta coisa chata”, afirma.

Eventos são criados, momentos de interação dos mais diversos com elencos são recorrentes, tudo, segundo Fernanda, para fazer com que os jornalistas/eleitores assistam aos filmes de fato. Ela ainda comenta que muito disso é feito com o intuito de “agradar” os jurados.

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Quem é?

Fernanda Ezabella é uma correspondente brasileira radicada em Hollywood. Ela cobre o glamour e a realidade crua de Los Angeles, da arte e cultura à política e à criminalidade. 

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Jornalista de diversas áreas, chegou a Los Angeles como correspondente da Folha de S.Paulo em 2010 e, atualmente, é colaboradora do jornal e de outros veículos. 

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Tornou-se membro do júri do Globo de Ouro há poucos anos, este será seu terceiro evento, experiência que destaca como fundamental para conhecer outros jornalistas, ter acesso aos filmes e entrevistar artistas de Hollywood.

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“O Agente Secreto” 

Neste ano, o filme “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, concorre em três categorias: melhor filme em língua não inglesa, melhor filme de drama e melhor ator em drama, pela performance de Wagner Moura no longa.