Uma saída do quarto em busca de sinal de Wi-Fi terminou de uma forma que a documentarista Flavia Tasso provavelmente não esperava ver um animal. Durante a noite, no Pantanal de Mato Grosso, ela encontrou uma fêmea de lobo-guará que se aproximou lentamente.
O encontro aconteceu nessa segunda-feira (10). Flavia já havia visto o animal algumas horas antes, mas a nova aproximação ocorreu quando ela estava do lado de fora da hospedagem tentando conseguir conexão com a internet.
A cena chamou atenção pelas características do animal e pela iluminação noturna. As pernas compridas, a silhueta esguia e os olhos refletindo a luz fizeram a imagem lembrar a figura popular de um lobisomem.
Apesar da aparência incomum, o encontro transcorreu de maneira tranquila.
Saiba também que a fruta preferida do lobo-guará é eficaz contra doença grave, aponta estudo da USP.
Veja fotos do animal:
Aproximação aconteceu em silêncio
Ao perceber a presença da loba, Flavia permaneceu abaixada e em silêncio. O animal sentiu o cheiro dela e continuou avançando devagar.
Por alguns momentos, as duas ficaram próximas. Quando a documentarista se levantou, a loba se afastou.
O episódio também mostra uma característica marcante dos encontros com animais silvestres: a imprevisibilidade. No Pantanal, uma simples saída do quarto pode terminar em uma situação que dificilmente seria planejada.
Um animal de aparência única
O lobo-guará, conhecido cientificamente como Chrysocyon brachyurus, tem uma aparência bastante diferente de outros integrantes da família dos canídeos.
A espécie possui pelagem avermelhada, pernas longas e uma estrutura corporal esguia. Um adulto pode chegar a cerca de 1,30 metro de comprimento, além de aproximadamente 40 centímetros de cauda. A altura pode alcançar um metro e o peso ultrapassar 20 quilos.
É o maior canídeo da América do Sul. Apesar do nome e da aparência que podem causar estranhamento, o lobo-guará tem comportamento dócil e não representa perigo para os seres humanos.
Onde vive o lobo-guará
A espécie costuma ocupar áreas abertas do Cerrado, dos Campos Sulinos e da Caatinga. Também existem registros nas bordas do Pantanal, além de ocorrências em países como Argentina, Paraguai, Bolívia, Uruguai e Peru.
O lobo-guará tem hábitos solitários e uma alimentação variada. Roedores, pequenos répteis, aves, frutos, mel e vegetais fazem parte de sua dieta.
A gestação dura entre 62 e 66 dias, e uma ninhada pode ter até seis filhotes.
Espécie enfrenta ameaças
A proximidade com ambientes ocupados por pessoas também representa riscos para a espécie. A perda de habitat, a caça e conflitos com produtores rurais estão entre os problemas citados no material de origem.
Em algumas regiões, proprietários rurais matam lobos-guará sob a alegação de que a espécie ameaça aves e pequenos animais. Também há registros de caça motivada pela retirada de partes do corpo, usadas como amuletos.
A espécie aparece na lista de animais ameaçados de extinção do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o ICMBio.






