Peça ‘O Ninho, um recado da raiz’ explora intolerância em temporada gratuita em SP

Com trilha sonora original de Zeca Baleiro, espetáculo é uma novela cênica

Ingressos para a peça 'O Ninho, um recado da raiz' são gratuitos

Ingressos para a peça 'O Ninho, um recado da raiz' são gratuitos | Ronaldo Gutierrez/Divulgação

O espetáculo “O Ninho, um recado da raiz”, com direção e dramaturgia do renomado autor pernambucano Newton Moreno, volta a São Paulo para uma curta temporada gratuita no Itaú Cultural, na avenida Paulista, em São Paulo, entre quinta (6/2) e domingo (23/2).

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A peça será apresentada de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h. Além das sessões, no sábado (15/2), às 15h, o autor e o elenco da montagem participarão de um bate-papo aberto ao público, com a palestrante e historiadora Susan Lewis.

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Com trilha sonora original é de Zeca Baleiro, que também assina a direção musical do espetáculo ao lado de André Badurê; o elenco traz Paulo de Pontes, Tay Lopes, Kátia Daher, Badu Morais, Rebeca Jamir e Jorge de Paula. Em cena, estarão ainda os músicos Bella Raiane e Zeca Loureiro. 

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Apresentado pela primeira vez no Sesc Bom Retiro, em março de 2024, o projeto marcou o reencontro de Moreno com o produtor Rodrigo Velloni, parceiros criativos na bem-sucedida montagem “As Cangaceiras, Guerreiras do Sertão” (2019).

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Detalhes da montagem

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Escrita em 2009, a peça “O Ninho, um recado da raiz” nasceu quando a “Cia. Os Fofos Encenam” pesquisava a civilização da cana-de-açúcar, o patriarcado da cana e a região da zona da mata, no nordeste do Brasil, para a criação do espetáculo “Memória da Cana”.

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Esse texto, inicialmente planejado para compor um dos movimentos de ‘Terra de Santo’, foi revisitado na criação da peça.

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“Nas minhas pesquisas, acabei descobrindo uma célula nazista, localizada em uma cidade perto de Recife. Lá, havia uma grande empresa de uma família poderosa chamada Lundgren, que é importantíssima para a história da cidade e apoiou alguns nazistas que vieram para cá. Encontrei no Arquivo Público do Estado de Pernambuco uma série de documentos registrando os encontros dessas pessoas com espiões alemães e até reuniões do partido nazista. Tive acesso ao trabalho de pesquisadores e ao livro de uma amiga, Susan Lewis, sobre essa presença dos nazistas no Brasil e nas Américas, e comecei a escrever a história”, conta Newton Moreno sobre o processo de criação da peça.

Em relação à decisão de retomar a obra em 2025, o autor revela que se trata de uma resposta à nova ascensão da extrema direita ultraconservadora e dos pensamentos fascistas e o neonazismo no Brasil e no mundo.

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“Tive acesso aos trabalhos da saudosa pesquisadora Adriana Dias, sobre o neonazismo no Brasil. E achamos que seria o momento de investigar o porquê a gente ainda convive com essas ideias fascistas, e nessa herança neonazista que nos cerca”, acrescenta.

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Já a encenação, conta o diretor, trabalha com um tripé formado pelo texto, o ator e a música em cena: “é no jogo entre essas três forças que a encenação se dá.

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A música é executada ao vivo e esses atores estão entregando essa verdade, essa busca desse menino. Só que aqui temos realmente uma história mais seca, que flerta com o trágico.”

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Narrativa

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“O Ninho, um recado da raiz” é uma novela cênica sobre a intolerância e o ódio em terras brasileiras, em pleno canavial nordestino. Obstinado e incansável, um jovem parte em busca de sua origem até descobrir a verdade dolorosa sobre sua primeira família.

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Com raízes sangrando e tradições perdidas, ele é alertado sobre os perigos que se anunciam, mas persevera até entender que a descoberta de si é sempre dolorosa.

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“Estamos redescobrindo o Brasil e as muitas histórias que estão sendo recontadas ou que nunca foram contadas. Contamos a história de um rapaz que descobre ter sido deixado numa roda de enjeitados de um convento por uma família. E, quando ele quer saber que família é essa, resvala em heranças que ele não imaginava. Trabalhamos esse espelhamento da busca desse menino atrás do seu DNA com a busca de um país atrás do seu DNA”, antecipa o autor.

Ficha Técnica
Elenco: Paulo de Pontes, Tay Lopez, Kátia Daher, Badu Moraes, Rebeca Jamir e Jorge de Paula 
Músicos: Bella Raiane e Zeca Loureiro
Texto letras e direção: Newton Moreno 
Assistente de direção: Almir Martines 
Dramaturgista: Bernardo Bibancos
Produção: Rodrigo Velloni 
Produção executiva: Swan Prado e Katia Brito
Trilha sonora original: Zeca Baleiro 
As músicas “Vento no canavial”e “Recado da Raiz” foram escritas por Zeca Baleiro e Newton Moreno
A música “Corifeia” foi escrita por Zeca Baleiro, André Bedurê e Newton Moreno 
A música “Ladainha” foi escrita por Rebeca Jamir
Direção musical: Zeca Baleiro e André Badurê 
Preparação vocal e arranjos vocais: Rebeca Jamir 
Preparação dos atores e direção de movimento: Erica Rodrigues
Cenografia: André Cortez 
Assistente de cenografia: Camila Refinetti 
Cenotécnico: Wanderley Wagner 
Serralheria: Fernando Zimolo
Iluminação: Equipe A2 | Lighting Design
Desenho de luz: Wagner Pinto
Produção de luz: Carina Tavares
Assistente de iluminação: Gabriel Greghi
Operação de luz: Gabriela Cezário
Visagismo: Dhiego Durso e Allan Ferc
Confecção de adereços: Zé Valdir
Figurinos: Fábio Namatame 
Assistente: Lari Andrade 
Modelagem: Juliano Lopes 
Modelagem e costura: Lenilda Moura 
Costura: Fernando Reinert , Maria Jose Castro e Judite Gerônimo 
Adereços: Antônio Ocelio de Sá
Consultoria e tradução do alemão: Evaldo Mocarzel
Consultoria de hebraico: Elaine Kauffman
Palestrante e historiadora: Susan Lewis
Diretor de palco: Duane Bin Nogueira 
Contrarregra: Murilo Goes
Camareira: Rejane Sá
Operador de som: Anderson Moura e Gabriel Fernandes 
Designer gráfico e ilustrações: Ricardo Cammarota
Fotos: Ronaldo Gutierrez
Assessoria de imprensa: Pombo Correio 
Captação, edição e mídias sociais: GaTú Filmes 
Gestão financeira: Vanessa Velloni 
Consultoria jurídica: Martha Macruz de Sá 
Administração: Velloni Produções Artísticas 

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Serviço
“O Ninho, um recado da raiz”, com texto e direção de Newton Moreno
Quando?
De quinta (6/2) a domingo (23/2) – quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h
Onde? Itaú Cultural – Avenida Paulista, 149, Bela Vista
Ingressos: Grátis, mas devem ser retirados aqui
Classificação: 14 anos
Duração: 90 minutos 
Acessibilidade: Teatro acessível para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida; sessões com intérpretes de libras

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No sábado (15/2), às 15h, haverá um bate-papo com o elenco, com participação especial da palestrante e historiadora Susan Lewis.