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Terça, 19 Março 2019 17:51

Acusado de corrupção, presidente do Comitê Olímpico do Japão renunciará em junho

Apesar do anúncio, Tsunekazu Takeda garante ser inocente das acusações que vem sendo feitas contra ele nos últimos meses
Takeda é acusado por autoridades francesas de liderar uma suposta compra de votos em favor do Japão na disputa para sediar os Jogos Olímpicos de 2020 Takeda é acusado por autoridades francesas de liderar uma suposta compra de votos em favor do Japão na disputa para sediar os Jogos Olímpicos de 2020 Divulgação
Por Estadão Conteúdo

Acusado de corrupção, o presidente do Comitê Olímpico do Japão, Tsunekazu Takeda, anunciou nesta terça-feira (19) que deixará o cargo em junho, quando se encerrará o seu mandato à frente da entidade. Apesar do anúncio, o dirigente de 71 anos garante ser inocente das acusações que vem sendo feitas contra ele nos últimos meses.

Em reunião com o conselho de diretores do Comitê, Takeda fez o anúncio formal sobre sua saída daqui a três meses e garantiu que não tentará a reeleição. "Eu não acredito que tenha feito qualquer coisa ilegal. Me causa certa dor criar essas discussões, mas eu acredito que é minha responsabilidade exercer o meu mandato até o fim", declarou.

Takeda é acusado por autoridades francesas de liderar uma suposta compra de votos em favor do Japão na disputa para sediar os Jogos Olímpicos de 2020. Na ocasião, ele ocupava o cargo de presidente da candidatura japonesa para receber o grande evento. A investigação vem sendo realizada pelos franceses há alguns anos. Em dezembro, acusaram formalmente Takeda.

"Eu não fiz nada de errado. Vou continuar a fazer o meu melhor para limpar o meu nome", garantiu o dirigente japonês, que tem grande força política junto ao Comitê Olímpico Internacional. Membro do COI desde 2012, ele é o atual chefe da comissão de marketing da entidade. Quando renunciar ao seu cargo no comitê japonês, ele também perderá suas funções no COI.

No início do ano, logo após a acusação formal dos franceses, Takeda garantiu que não renunciaria. No entanto, a pressão aumentou nos últimos meses, principalmente em razão da maior proximidade dos Jogos - na semana passada, uma série de eventos comemorou a marca de 500 dias para o início da Olimpíada. A cúpula da organização do evento quer se distanciar das acusações enfrentadas por Takeda.

"Eu peço desculpas por decepcionar a sociedade [por renunciar] a poucos meses dos Jogos. Me sinto mal sobre isso", declarou o presidente do comitê japonês. Ele justificou sua saída ao afirmar que queria abrir caminho para uma "geração mais nova" liderar a entidade.

O mais cotado para assumir a presidência é Yasuhiro Yamashita, campeão olímpico no judô nos Jogos de Los Angeles-1984. Também está na briga Kozo Tashima presidente da Associação de Futebol do Japão. Ambos são integrantes do Conselho Executivo do Comitê Olímpico do Japão.

INVESTIGAÇÃO

A cidade de Tóquio foi escolhida para sediar a Olimpíada de 2020 em 2013, ao superar Madri e Istambul. A eleição, contudo, está sob suspeita. Um dos pontos investigados é um pagamento feito antes do voto de Buenos Aires dado à capital japonesa. O valor de 1,8 milhão de euros (cerca de R$ 7,6 milhões) foi transferido a uma empresa que teria ligação com o senegalês Papa Massata Diack, filho do então presidente da Associação das Federações Internacionais de Atletismo (IAAF), Lamine Diack, segundo o jornal Le Monde.

O dinheiro, que seria para a elaboração de dois relatórios, teria sido usado para subornar membros africanos do COI por intermédio de Diack, que fez campanha a favor de Tóquio. Takeda confirmou esses pagamentos, quando foi interrogado pela primeira vez em Tóquio em fevereiro de 2017, mas não justificou a elaboração dos relatórios.

O dirigente japonês foi acusado após um novo interrogatório em 10 de dezembro. Segundo os investigadores, o dinheiro circulou através de uma empresa baseada em Cingapura, denominada Black Tidings, antes de chegar ao filho de Diack.

O primeiro pagamento, de quase 800 mil euros (R$ 3,4 milhões), data de 30 de julho de 2013, e o segundo, de 1 milhão de euros (R$ 4,2 milhões), de 28 de outubro desse mesmo ano, apenas dez dias antes do voto em Buenos Aires.

Tóquio ganhou no segundo turno de Istambul. A capital japonesa obteve 42 votos na primeira votação e 60 na segunda, frente aos 36 da cidade turca.

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