‘Dor no peito e tontura exigem parada imediata’, alerta médico após morte em maratona de São Paulo

Falta de ar desproporcional, dores no peito, tonturas, desidratação e uso de estimulantes elevam os riscos de colapso cardiovascular durante o esforço físico intenso

Fotografia aérea noturna em ângulo elevado mostrando a largada da corrida de rua SP City Marathon na Praça Charles Miller. Em primeiro plano, milhares de corredores preenchem a avenida e cruzam a linha de partida sob um grande pórtico iluminado com as inscrições "START" e "RUN SPCITY '26 MARATHON".

Em respeito a vitima e a família, a maratona não fornecerá informações adicionais sobre o caso - Reprodução/Instagram @spcitymarathonoficial

Existem problemas que nunca devem ser ignorados durante uma corrida e que podem transformar um problema potencialmente tratável em uma emergência médica. Isso é o que explica o Dr. Daniel Marotta, cardiologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

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“Dor ou aperto no peito, falta de ar desproporcional ao esforço, tontura, sensação de desmaio, palpitações intensas, perda da consciência, confusão mental e mal-estar importante são sintomas que exigem interrupção imediata da atividade e avaliação médica”, explica Daniel Marotta.

O assunto ganhou repercussão depois que um corredor de 50 anos passou mal e morreu após cruzar a linha de chegada da 10ª edição da SP City Marathon, realizada no último domingo (26/7), em São Paulo.

O homem foi vítima de uma parada cardíaca depois de completar o percurso de 21 quilômetros e não resistiu.

O que causa um colapso cardíaco

Segundo Marotta, as causas de um colapso cardíaco em atletas durante provas longas podem variar conforme a idade.

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“Em atletas com menos de 35 anos, os eventos costumam estar relacionados a doenças cardíacas hereditárias ou congênitas, como a cardiomiopatia hipertrófica, cardiomiopatia arritmogênica, alterações elétricas do coração (canalopatias) e anomalias das artérias coronárias, muitas vezes ainda desconhecidas pelo próprio atleta”, explica.

Já em atletas com mais de 35 anos, a principal causa é “a doença arterial coronariana, ou seja, o estreitamento ou entupimento das artérias do coração por placas de gordura, que pode desencadear um infarto ou uma arritmia grave durante o esforço intenso”.

O especialista ainda afirma que a morte súbita em provas esportivas é um evento raro, mas que exige atenção e investigação cuidadosa para a determinação da causa e a orientação correta para os familiares.

Gatilhos externos também podem causar crises

Porém, os gatilhos para um evento fatal não se privam aos fatores biológicos, mesmo para pessoas com alguma predisposição.

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De acordo com o cardiologista, “calor excessivo, alta umidade, desidratação, distúrbios dos eletrólitos e esforço físico prolongado aumentam significativamente a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular”.

Os danos à saúde podem aumentar em caso de histórico de tabagismo, colesterol alto, hipertensão e diabetes, além de casos familiares anteriores.

Em pessoas com uma doença cardíaca previamente existente, mesmo sem sintomas, fatores do tipo podem atuar para infarto, arritmias potencialmente fatais e colapso cardiovascular.

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Consumo inadequado pode facilitar problemas cardíacos

Atletas saudáveis também podem sofrer com a exaustão causada pelo calor. A situação pode se agravar, caso não haja reposição e hidratação adequadas.

O consumo antes da prova também é determinante, especialmente quando há excesso de bebidas alcoólicas. Ingerir quantidades consideráveis de álcool favorece a desidratação e altera a frequência cardíaca.

Da mesma forma, o “uso indiscriminado de bebidas energéticas, pré-treinos e suplementos estimulantes, principalmente quando associados a altas doses de cafeína, pode elevar a frequência cardíaca e a pressão arterial, aumentando o risco de complicações em indivíduos predispostos”, detalha Marotta.

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Como reduzir os riscos de problemas cardíacos

O check-up cardiológico reduz significativamente a chance de eventos, mas isso não identifica 100% das doenças. Daniel Marotta ainda esclarece que nenhum exame é capaz de eliminar completamente o risco, com algumas condições permanecendo ocultas durante muito tempo e se manifestando com o esforço extremo.

Por isso, “a avaliação deve ser individualizada, levando em consideração idade, histórico familiar, fatores de risco, sintomas e modalidade esportiva. Em alguns casos, podem ser necessários exames complementares, como ecocardiograma, monitorização cardíaca, tomografia das artérias coronárias ou ressonância magnética cardíaca”.

O doutor finaliza, dizendo que mais importante do que realizar um exame é fazer uma avaliação cardiológica completa e periódica, supervisionada por um especialista.

Por fim, ele cita que “o mais importante é lembrar que um check-up realizado há alguns anos não garante que a condição cardiovascular permaneça a mesma”, e que “o risco muda com a idade, com o surgimento de novos fatores de risco e com o aumento da intensidade dos treinos”.

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A melhor forma de evitar doenças cardiovasculares é com a prática da atividade física, desde que seja feita de forma consciente e respeitando os sinais do próprio corpo.