A presença de jogadores brasileiros em outras seleções não é um fenômeno recente. A naturalização de atletas é algo que acompanha a história do futebol mundial desde as primeiras edições da Copa do Mundo, quando regras de nacionalidade eram mais flexíveis e a globalização do esporte ainda estava longe de alcançar o ápice dos dias atuais.
O Brasil sempre se destacou como um dos principais celeiros de craques, com muitos atletas formados em solo nacional construindo carreiras sólidas fora do país. Entre os principais motivos usados como justificativa pelos próprios jogadores estão: imigração familiar, dupla cidadania, oportunidades esportivas e decisões estratégicas.
Em determinados casos, essas trajetórias no exterior resultaram em brasileiros defendendo outras seleções em Copas do Mundo. Algumas trocas foram extremamente positivas e abriram caminho para certos atletas se tornarem destaques absolutos por outros selecionados e até campeões mundiais.
Com o torneio de futebol mais badalado da atualidade cada vez mais próximo, a equipe da Gazeta elaborou uma lista de brasileiros que jogaram o Mundial por outras equipes. Confira:
O pioneirismo ítalo-brasileiro e as primeiras “exportações” de craques (1934 – 1962)
A primeira grande “transferência” de atletas formados em solo nacional em Copas aconteceu na década de 1930, durante a imigração italiana. Na época, o regime fascista de Benito Mussolini adotou a política de convocar descendentes de italianos nascidos na América do Sul.
Desta forma, em 1934, o ponta-direita Anfilogino Guarisi, o Filó, colocou seu nome na história após conquistar o título mundial pela Itália. Ele se tornou o primeiro brasileiro a protagonizar o feito por outra equipe além da Seleção Brasileira.
Além de Filó, a Azzurra também contou com brasileiros em seu elenco em 1962, no Mundial do Chile, quando Angelo Sormani e José Altafini (Mazola) defenderam a Seleção Italiana. Mazola, inclusive, foi campeão do torneio pelo Brasil em 1958, consagrando-se como o único atleta vencedor de Copas por um país a representar outra seleção na competição.
América Central, África e Ásia de olho no talento brasileiro (1990 – 2002)
O fenômeno da naturalização ganhou ainda mais força em 1990, com equipes nacionais de fora da Europa procurando um pouco do estilo brasileiro para fortalecer seus respectivos elencos.
Em 1990, o meio-campista Alexandre Guimarães defendeu a Costa Rica, atuando como peça fundamental na campanha histórica do time até as quartas de final do torneio, disputado na Itália.
Nos anos seguintes, países como México, Tunísia, Japão e Bélgica também começaram a se reforçar, inserindo atletas brasileiros no elenco.
O atacante Zaguinho, por exemplo, se tornou uma figura recorrente pela Seleção Mexicana entre os anos de 1994 e 1998. Já o meio-campista Clayton atuou em duas Copas do Mundo pela Tunísia (1998 e 2002).
O Japão, por sua vez, abriu espaço para brasileiros naturalizados, como Wagner Lopes e Alex Santos. A estratégia japonesa foi adotada na época como uma forma de fortalecer o nível técnico da J-League e acelerar seu desenvolvimento internacional.
Auge de brasileiros na Europa (2006-2018)
A Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, marcou o ápice de brasileiros em seleções europeias. Entre os principais nomes estão: Deco (Portugal), Marcos Senna (Espanha), Pepe (Portugal), Liédson (Portugal), Cacau (Alemanha) e Sinha (México).
Marcos Senna foi um dos pilares da Espanha na conquista da Eurocopa de 2008 e no processo de transição que terminaria no título do Mundial de 2010.
Em Portugal, Deco se tornou o cérebro dos lusitanos por mais de uma década, enquanto Pepe se tornou um dos zagueiros mais vitoriosos da história recente do futebol, disputando quatro Copas pelo país (2010, 2014, 2018 e 2022).
Consolidação de brasileiros fora do Brasil (2018-2022)
As Copas de 2018 e 2022 reuniram quantidades expressivas de brasileiros em outras seleções. Espanha, Portugal, Rússia, Polônia e Costa Rica contaram com atletas nascidos no Brasil naturalizados.
Thiago Alcântara, Rodrigo Moreno e Diego Costa defenderam a Espanha. O meio-campista Mário Fernandes jogou pela Rússia em 2018. Portugal manteve sua forte conexão com o Brasil, principalmente por causa do idioma, convocando Pepe, Bruno Alves, Matheus Nunes e Otávio.
O Mundial de 2022 consolidou Pepe como o brasileiro com mais copas disputadas por outra seleção.
Lista completa – Copa por Copa (ordem cronológica)
1934 – Filó – Itália
1962 – Angelo Sormani – Itália
1962 – José Altafini (Mazola) – Itália
1990 – Alexandre Guimarães – Costa Rica
1994 / 1998 – Zaguinho – México
1998 / 2002 – Clayton – Tunísia
1998 – Wagner Lopes – Japão
1998 – Luís Oliveira – Bélgica
2002 / 2006 – Alex Santos – Japão
2006 – Sinha – México
2006 – Francileudo Santos – Tunísia
2006 – Marcos Senna – Espanha
2006 – Deco – Portugal
2010 / 2014 / 2018 / 2022 – Pepe – Portugal
2010 – Liédson – Portugal
2010 – Marcus Túlio Tanaka – Japão
2010 – Benny Feilhaber – Estados Unidos
2010 – Cacau – Alemanha
2014 / 2018 – Diego Costa – Espanha
2014 – Thiago Motta – Itália
2014 – Eduardo da Silva – Croácia
2014 – Sammir – Croácia
2018 – Mário Fernandes – Rússia
2018 – Thiago Alcântara – Espanha
2018 – Rodrigo Moreno – Espanha
2018 – Bruno Alves – Portugal
2018 – Thiago Cionek – Polônia
2018 – Celso Borges – Costa Rica
2018 – Giovani dos Santos – México
2018 – Jonathan dos Santos – México
2022 – Matheus Nunes – Portugal
2022 – Otávio – Portugal
Ao todo, são 39 participações em Copas do Mundo envolvendo brasileiros que defenderam outras seleções.
