Jogo entre Flamengo e Corinthians ajudou a solucionar um dos maiores crimes do Brasil

Vigia responsável pela rua se lembrou do horário da ação dos criminosos graças ao Clássico das Multidões

Cena de filme do Prime Video sobre o caso Richthofen mostra jogo entre Flamengo e Corinthians

Cena de filme do Prime Video sobre o caso Richthofen mostra jogo entre Flamengo e Corinthians | Reprodução

Um dos casos policiais mais famosos da história do Brasil, o “Caso Richthofen” parou o Brasil e passou por etapas importantes de investigação até que a polícia descobrisse que a própria filha das vítimas, Suzane, estava envolvida no crime.

Contudo, o que muita gente não sabe é que, durante a apuração dos depoimentos e busca por provas, uma partida de futebol ajudou a equipe policial a chegar aos verdadeiros culpados.

Um jogo entre Flamengo e Corinthians, válido pelo Campeonato Brasileiro de 2002, foi de extrema importância para que os oficiais desconfiassem do depoimento de Suzane, que acabou confessando o crime ao lado dos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos.

Como um jogo entre Flamengo e Corinthians ajudou no caso

No dia 30 de outubro de 2002, o que parecia ser só mais um grande jogo entre Flamengo e Corinthians, as duas maiores torcidas do País, ajudou em outro ocorrido histórico, fora do esporte.

A partida acabou 1 a 0 para o Timão, que encerrou um tabu de 11 anos sem vencer o Rubro-Negro em terras cariocas. O gol foi marcado pelo atacante Guilherme.

O confronto começou às 21h30 e foi televisionado, sendo um sucesso de audiência. Um dos espectadores, porém, foi mais do que apenas um apaixonado por futebol. Tratava-se de Francisco Genivaldo Modesto Diniz, o vigia da rua da família Richthofen, que assistia ao jogo em uma pequena telinha dentro de sua guarita.

Ele contou à polícia que, enquanto assistia ao clássico nacional, apenas um carro passou por lá, conduzido por Suzane Von Richthofen. 

O vigia afirmou que a chegada da jovem aconteceu próximo ao fim do jogo, e assim, por saber a hora em que a partida começaria e terminaria, foi capaz de estimar a hora que isso aconteceu: o carro chegou lá por volta de 23h50. O homem tinha acabado de desligar o jogo e ido deitar.

Este fato é contado no livro O Quinto Mandamento, de Ilana Casoy.

No filme inspirado no caso, “A Menina Que Matou os Pais – A Confissão”, estrelado por Carla Diaz (Suzane Von Richthofen) e Leonardo Bittencourt (Daniel Cravinhos) e disponível no Prime Video, é mostrado, inclusive, uma cena do vigia assistindo ao jogo e dele sendo interrogado pelos policiais.

Avanço da investigação

Durante a investigação, a polícia concluiu que o casal Manfred e Marísia foi assassinado entre 22h e 00h, o que batia com o horário que a filha das vítimas chegou à residência.

Suzane afirmou em depoimento que havia passado em casa rapidamente por volta da meia-noite, antes de ir ao motel com o namorado.

Ela disse que, nessa rápida passada, viu os pais dormindo, “até roncando” — mentira que, somada a uma lista de contradições entre os depoimentos, levou à confissão do trio.

Estudante de direito e de família influente, Suzane foi a mandante do crime brutal que terminou com o assassinato de seus próprios pais. Daniel Cravinhos (então namorado) e Cristian Cravinhos (então cunhado) mataram Manfred e Marísia a pauladas enquanto eles dormiam. O objetivo do crime seria herdar toda a fortuna do casal, que supostamente não aprovava o namoro entre Suzane e Daniel.

O caso tomou conta dos jornais do País à época e é até hoje lembrado pelos noticiários e analistas.