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O RE PA é uma das principais rivalidades do País | Imagens gerada por IA
Em Belém, a escolha das cores de escudos e uniformes dos clubes Remo e Paysandu reflete histórias que vão além do esporte: são marcas de identidade cultural, de homenagens e de trajetórias fundacionais.
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No caso do Remo, o azul-marinho não é apenas uma cor é símbolo de prestígio e referência histórica. Já o Paysandu adotou o alviceleste, uma combinação que transcende moda para evocar características que seus fundadores aspiravam ver em campo.
Essas paletas visuais contemplam raízes que misturam referências internacionais e homenagens simbólicas, construindo uma estética que, ao longo dos anos, se consolidou na memória de suas torcidas.
Ambos os clubes se fundaram com propósitos simbólicos: o Remo conectou-se a algo internacional, remetendo à tradição inglesa nas regatas, enquanto o Paysandu buscou inspiração em outro país, associando a sua cor a uma vitória naval com a esperança de canalizar suas virtudes em campo.
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Compreender esses fundamentos é mergulhar em narrativas que revelam não apenas escolhas visuais, mas afirmações de orgulho, torcida e pertencimento aos caracteres que formaram esses institutos centenários.
Desde seus primórdios, o Remo inspirou-se na cor do Rowing Club britânico, reverenciando a tradição inglesa nas regatas com o azul imperial, aqui interpretado como azul-marinho.
Essa decisão transcendeu tendências de grafismo, pois carregava consigo uma conexão direta com uma estética consagrada, trazendo ao Pará a mesma elegância e imponência que os clubes náuticos da Inglaterra ostentavam.
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O azul-marinho, portanto, não foi uma escolha fútil, mas um ato consciente de afirmação identitária e de inspiração em um modelo que simbolizava disciplina, força e credibilidade.
Com o passar dos anos, esse azul virou algo emblemático: em momento mais recente, a camisa azul-marinho do Remo foi apontada como a mais bonita do Brasil em uma enquete nacional.
Esse reconhecimento popular reforça o vínculo afetivo com a cor, mostrando que a herança britânica foi não apenas lembrada, mas celebrada e valorizada, consolidando o azul como um elemento central na cultural visual do clube.
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O surgimento do Remo como “Grupo do Remo” foi transformado em “Clube do Remo” em 1911, formalizando a integração da identidade inglesa na nova agremiação de futebol.
Essa progressão mostrou que o clube não se limitava ao esporte aquático, mas aspirava posicionar-se com respeito e seriedade no cenário esportivo local, levando consigo o símbolo cromático que já o individualizava.
A consolidação do azul-marinho como cor principal significou também uma continuidade simbólica, o clube adotava a cor não apenas esteticamente, mas identitariamente.
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A partir daí, o uniforme oficial passou a repetir a presença dominante do azul-marinho, se invertendo apenas nos uniformes alternativos, uma prática que reforça ainda mais a cor original e sua importância simbólica.
Assim, o azul resume uma tradição visual e uma história de consolidação de um clube que busca preservar suas raízes mesmo diante das transformações por que passa o futebol ao longo das décadas.
Quando fundado, o Paysandu escolheu uma combinação de cores que não era aleatória: o alviceleste (azul-celeste e branco) veio de uma homenagem à Marinha do Brasil, após sua vitória na Batalha de Paysandú, no Uruguai.
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Assim, o clube buscou refletir não só uma conotação militar de bravura e disciplina, mas também estabelecer um vínculo simbólico com o país vizinho, cuja seleção nacional exibe as mesmas cores. A combinação, portanto, carregava a expectativa de transferir, em espírito, a garra e a raça dos uruguaios para os jogadores em campo.
Na prática, durante certo período, essa tonalidade idealizada nem sempre foi mantida fielmente: o clube chegou a usar o azul-anil em vez do azul-celeste, uma divergência do tom original que mostra as adaptações e oscilações por que passou o uniforme.
Ainda assim, a intenção original permaneceu clara e constante, evocar uma força simbólica ancorada em glória, bravura e tradição internacional.
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Voltando aos tempos da fundação, o uniforme proposto pelo primeiro presidente do Paysandu foi aprovado quase imediatamente após a criação do clube, reforçando o conceito simbólico em sua essência.
O azul-celeste e branco, desde então, integrou-se à marca fundadora, embarcando numa identidade visual que se manteve ao longo do tempo.
Mesmo com as pequenas variações ocasionais (como o tom de azul utilizado), o alviceleste tornou-se um símbolo reconhecível da agremiação, refletindo tanto a memória de nascimento quanto funcionamento institucional.
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Essa consistência cromática ajudou a criar referência e familiaridade junto aos torcedores.
O azul-celeste e branco deixou de ser apenas cores num uniforme, transformando-se em parte do imaginário coletivo, carregando a simbologia das origens e das aspirações que, um século atrás, foram projetadas em cada listrado ou recorte.
Quando Remo e Paysandu entram em campo, o duelo não é apenas técnico é uma disputa visual, expressa por azul-marinho contra azul-celeste e branco.
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As cores representam estéticas contrastantes e narrativas simbólicas distintas: de um lado, o azul austero, ligado à tradição britânica e ao prestígio, do outro, a leveza e simbologia diplomática com o alviceleste. Ao se enfrentarem, esses tons trazem à tona uma disputa que vai além do campo — envolve história, identidade e afeto.
Esse embate cromático reforça a rivalidade Re-Pa não apenas como duelo esportivo, mas como confronto simbólico entre duas filosofias visuais e origens marcantes.
Cada camisa carrega consigo um passado, e a simples presença em campo é um lembrete das narrativas que moldaram a cultura dos clubes e sua torcida.
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Passadas gerações, a escolha das cores azul-marinho e alviceleste permanece intacta como marca registrada dos clubes.
O Remo segue honrando a herança inglesa, mantendo seu azul imponente, enquanto o Paysandu conserva sua evocação simbólica da Marinha e da seleção uruguaia, perpetuando seu alviceleste nas lembranças e nas arquibancadas.
Essas cores ressoam como legados visuais que resistiram ao tempo, conquistas, uniformes alternativos e transformações no futebol.
Essa continuidade demonstra a força da tradição e da simbologia na construção da identidade de clubes centenários. Assim, o azul e o branco não são apenas pigmentos, são rostos visuais de histórias que atravessam décadas, transmitindo orgulho e pertencimento às novas gerações que mantêm viva a chama de Remo e Paysandu.
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