A classificação da Argentina para a final da Copa do Mundo de 2026 reacendeu uma teoria curiosa nas redes sociais.
Alguns internautas apontaram um culpado pela ascensão argentina para a nova era de ouro no futebol, e ele seria Jair Messias Bolsonaro (PL).
Um dos responsáveis pela Copa América 2021 ter sido realizada no Brasil, na época da pandemia da covid-19, Bolsonaro teria desempenhado um papel indireto na retomada do sucesso da seleção argentina, que saiu daquela competição como campeã, ao bater o Brasil no Maracanã.
Após isso, os argentinos exerceram uma hegemonia, tendo vencido a Copa do Mundo 2022, Finalíssima 2022, Copa América 2024 e agora tendo chegado novamente à final da Copa do Mundo em 2026.
A tese ganhou repercussão justamente porque conecta uma decisão política a uma sequência histórica de conquistas esportivas. Embora não exista qualquer relação comprovada entre os fatos, a coincidência cronológica alimentou debates e memes entre internautas.
A Copa América de 2021 quase não aconteceu
A edição de 2021 da Copa América enfrentou uma das maiores crises de sua história. Inicialmente, Argentina e Colômbia dividiriam a organização do torneio.
Entretanto, a Colômbia perdeu o direito de sediar os jogos em meio aos intensos protestos populares que tomaram o país. Pouco depois, a Argentina também abriu mão da competição devido ao agravamento da pandemia de covid-19 e ao aumento expressivo no número de casos.
Com menos de duas semanas para o início da competição, a Conmebol precisava encontrar uma solução urgente. Foi nesse cenário que o governo de Jair Bolsonaro ofereceu o Brasil para receber o torneio.
A entidade aceitou a proposta e distribuiu as partidas entre Rio de Janeiro, Brasília, Goiânia e Cuiabá.
Como o País já havia sediado a Copa América de 2019, os estádios estavam dentro do esperado.
A decisão provocou forte polêmica
A confirmação do Brasil como sede gerou enorme repercussão política e esportiva.
Naquele momento, o País ainda registrava milhares de mortes pela covid-19, enquanto diversos estados mantinham restrições sanitárias. Especialistas em saúde, parlamentares, entidades civis e parte da opinião pública criticaram a realização da competição.
Além disso, jogadores da Seleção Brasileira chegaram a discutir internamente um possível posicionamento contrário ao torneio.
A expectativa por uma manifestação pública aumentou durante dias, mas os atletas decidiram disputar a competição e divulgaram apenas uma nota com críticas à forma como a decisão ocorreu, com pouca antecedência e sem consultar dos jogadores.
Mesmo diante da pressão, a Copa América aconteceu normalmente.
O título que encerrou um jejum de 28 anos
Dentro de campo, a competição marcou um momento histórico para a Argentina.
Na decisão, disputada no Maracanã, a equipe comandada por Lionel Scaloni venceu o Brasil por 1 a 0, com gol de Ángel Di María. O resultado encerrou um jejum de 28 anos sem títulos oficiais, que durava desde a Copa América de 1993.
A conquista também representou o primeiro grande título de Lionel Messi com a seleção principal, encerrando anos de frustrações em finais e eliminando uma pressão que acompanhava o craque havia mais de uma década.
Além disso, a Argentina chegou a 16 conquistas continentais, se isolando como a maior campeã do torneio.
Depois disso, a Argentina empilhou títulos
A partir daquele triunfo, a seleção argentina viveu uma sequência inédita de conquistas.
Primeiro, venceu a Finalíssima de 2022 diante da Itália. Meses depois, levantou a Copa do Mundo do Catar, conquistando o tricampeonato mundial em uma das finais mais memoráveis da história.
Em seguida, faturou a Copa América de 2024, consolidando um ciclo vencedor sob o comando de Lionel Scaloni.
Agora, a equipe alcançou mais uma decisão ao garantir vaga na final da Copa do Mundo de 2026, ampliando a sensação de domínio do futebol argentino na atual década.
A teoria que viralizou nas redes
A teoria, no entanto, surgiu em tom de provocação e memes, não possuindo qualquer comprovação factual.
Especialistas apontam que o sucesso argentino resulta principalmente do trabalho desenvolvido por Lionel Scaloni, da maturação de uma geração talentosa e da estabilidade construída dentro da seleção.
Ainda assim, a coincidência entre a realização da Copa América no Brasil e o início da série de títulos argentinos transformou o episódio em mais um tema de grande repercussão nas redes sociais, em que política e futebol frequentemente se misturam.
