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Ex-chefe de presídios em SP terá aposentadoria cassada

O governo João Doria (PSDB) demitiu e cassou a aposentadoria do ex-chefe dos presídios do estado de São Paulo que teve a fortuna revelada pelo jornal "Folha de S.Paulo". De acordo com o Diário Oficial de sábado, o ex-servidor Hugo Berni foi demitido por, entre outros motivos, infringir leis que citam lesar os cofres públicos e receber ou solicitar propinas.

A "Folha de S.Paulo" revelou, em 2015, que Berni, então responsável por todos os presídios da região metropolitana, havia acumulado patrimônio que poderia chegar à casa dos R$ 20 milhões em poucos anos.

Segundo a apuração da reportagem, ele se associou à irmã dois anos em uma empresa imobiliária -que saiu quase do zero e construiu casas em condomínios de alto padrão de Sorocaba (interior) avaliadas em mais de
R$ 7 milhões, equivalentes a 32 anos de seu salário. Além disso, mantinha em andamento obras de um condomínio inteiro, com 24 casas, que poderiam alcançar R$ 15 milhões. Berni negou origem ilegal dos bens na ocasião. Ele foi afastado pelo então governador Geraldo Alckmin (PSDB) logo após a publicação da reportagem. Uma investigação sobre a atuação de Berni foi aberta.

Como coordenador de 28 unidades prisionais, cargo de confiança do então secretário Lourival Gomes, Berni era o responsável pelos contratos com as empresas que forneciam alimentos e outros serviços.

Auditoria constatou que empresas da família do ex¬-chefe dos presídios da Grande São Paulo fizeram negócios com fornecedoras da Secretaria da Administração Penitenciária, segundo conclusão de auditoria da Corregedoria Geral da Administração.

A reportagem apurou que a auditoria rastreou negócios das empresas da família de Berni com ao menos cinco empresas ganhadoras de licitações da secretaria. Quatro são fornecedoras de alimentos para prisões e uma é da área de material de construção. Berni conseguiu se aposentar. No entanto, após o fim da investigação, foi decidido que deveria ser demitido a bem do serviço público e, por isso, ter a aposentadoria cassada.

Berni não se manifestou sobre o caso.
(Artur Rodrigues/FP)

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