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Também nesta sexta-feira (4), o governo do Paraná informou que os testes da vacina russa  devem começar em um mês
Também nesta sexta-feira (4), o governo do Paraná informou que os testes da vacina russa devem começar em um mês
Foto: Martin Sanchez/Unsplash

Com crescimento de casos de Covid-19, Interior de SP se preocupa com sobrecarga hospitalar

O interior do Estado possui menos leitos de UTI que a Grande São Paulo

O contágio do novo coronavírus não para de crescer no Estado de São Paulo. Com mais de 12 internações e 4 mortes por hora, o estado colocou em alerta autoridades e profissionais de saúde para a possibilidade de um pico da doença. Das 645 cidades, 412 já possuem ao menos um caso de Covid-19.

São Paulo é o epicentro da doença no Brasil, com 3.709 mortes e 45.444 infectados. São 5.676 vagas de UTI (adulto e pediatria) para as 645 cidades, segundo levantamento do Plano de Contingenciamento do Estado de São Paulo. Desses, 3.144 eram na Capital e na Grande São Paulo e outras 2.532 eram leitos nas cidades do interior e litoral. Hoje, São Paulo possui mais de 9,8 mil internados, desses, 3.909 em UTI e 5.938 em enfermaria. Dos leitos de UTI reservados para Covid-19 no Estado, 67,9% estão ocupados. 83,3% na Grande São Paulo.

Na semana passada, a taxa de concentração de novos casos do novo coronavírus no Estado e fora da Grande São Paulo passou de 15% para 32%.

No fim da primeira semana da pandemia, no dia 17 de março, São Paulo tinha 164 casos no Estado e 1 morte, com casos concentrados na Grande São Paulo. No dia 30 de abril, o número passou a ser 28.698 de casos confirmados e 2.735 mortes, espalhados em todas as regiões.

O Secretário de Desenvolvimento Regional do Estado, Marco Vinholi, alertou sobre os riscos dessa interiorização da doença. Se a curva de crescimento for mantida, até o fim de maio, todas as 645 cidades paulistas terão registros. “Não existe nenhuma região protegida. Nesse momento, a onda epidêmica está se distribuindo”, afirmou Dimas Covas, diretor do Instituto Butantã.

SOBRECARGA.

No interior e no litoral, a taxa de ocupação de leitos para a Covid-19 tem crescido. Na sexta-feira (8), havia 3.474 internações, com a taxa de ocupação de 70,5%. Um dia antes, a taxa era de 66,9%. Enquanto a taxa de ocupação nas cidades do entorno e na capital se manteve em 89,6% nos dois dias.

Segundo o presidente do Conselho dos Secretários Municipais da Saúde de São Paulo, Geraldo Reple, que integra o Centro de Contingência do coronavírus do Estado, na semana passada, em um único dia, 1 mil pessoas foram internadas com o novo coronavírus, enquanto 600 tiveram alta. “Se essa proporção continuar ou até crescer, que é o que parece que vai acontecer, nós estaremos em uma fase extremamente complicada”, afirmou. “Todas as cidades têm plano de contingenciamento, mas muitas não estão preparadas. Muitos municípios não têm leito de UTI. Provavelmente, muitos não têm nem leito de estabilização.”

ISOLAMENTO.

Nos últimos dias, o crescimento de novos casos do novo coronavírus tem acelerado no litoral e no interior do que na Grande São Paulo. A taxa de isolamento no Estado permaneceu abaixo de 50%, abaixo do esperado. A situação levou o governador João Doria a prorrogar a quarentena até o fim do mês.

De acordo com o especialista em geografia da saúde e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Raul Guimarães, o avanço acelerado da doença no interior e no litoral está ligado ao relaxamento da quarentena. “O risco de faltar capacidade de atendimento hospitalar para os casos mais graves é grande

HOSPITAL DA UNICAMP.

Na maior cidade do interior paulista, Campinas, a sobrecarga na rede hospitalar é um risco. A estrutura do município possui o Hospital das Clínicas da Unicamp, para casos de alta complexidade e grandes centros de atendimento, como o Hospital Municipal Mário Gatti e o Celso Pierro, da PUC-Campinas.

No Hospital da Unicamp, havia 19 leitos de UTI, com a taxa de ocupação em 50% na semana passada. No entanto, em parceria com o Estado e com recursos liberados pela União, outros 18 leitos de UTI serão abertos.

Por falta de leitos no interior, está ocorrendo uma transferência de infectados para a Grande São Paulo. Campinas recebeu 4 dos 15 primeiros encaminhados. Inaugurado para ser exclusivo para Covid-19, o Ambulatório Médico de Especialidades os recebeu. Na sexta, o ambulatório estava com 80% dos leitos ocupados. São 659 leitos de UTI exclusivos para a doença.

O ambulatório atende 41 cidades e quase 6 milhões de habitantes, situados na divisão administrativa regionalizada de saúde.

Para não sobrecarregar ainda mais, o prefeito de Campinas, Jonas Donizette, resistiu ao encaminhamento de infectados de São Paulo.

Ainda na sexta-feira, o prefeito prorrogou medidas de restrição no município até o dia 31 de maio e decretou o bloqueio de vias para reduzir a circulação de pessoas.

*As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.

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