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R$ 226, contra R$ 200 programados no ano de 2019
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Foto: Fabrício Costa/Futura Press/Folhapress

Desemprego faz abertura de empresas crescer

RECORDE NA CRISE. Segundo governo paulista, em agosto foram criados 22.825 novos CNPJs no estado de São Paulo

Em plena crise, gerada pela pandemia do novo coronavírus, o governo de São Paulo está comemorando o número de novas empresas abertas no Estado. Em agosto, segundo dados da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), foram criados 22.825 novos CNPJs nas cidades paulistas, o que seria a maior marca alcançada desde 1998. Embora o governo considere o número positivo, na opinião de Wilson Pot, superintendente do Sebrae-SP, a alta taxa na abertura de empresas também desnuda uma face cruel da crise: o grande número de desempregados.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no 2º trimestre de 2020, quando as medidas de contenção do novo coronavírus foram mais rígidas, o número de desempregados atingiu 12,8 milhões no Brasil, o que fez muitas pessoas buscarem no empreendedorismo uma saída para a falta de renda.

"A isenção de taxas de abertura é uma medida muito bem-vinda para estimular a formalização do empreendedor neste momento de pandemia. De fato, pode ter sido aquele empurrão que faltava para quem estava empreendendo e não podia ainda ter um CNPJ, emitir nota, ter benefícios previdenciários etc. Mas percebemos que o aumento se deve também ao fato de que muitas pessoas encontraram no trabalho por conta própria uma alternativa para obter renda durante a pandemia - e certamente o desemprego contribuiu para isso. Não são hipóteses excludentes", diz Pot.

Sobrevivência.

Ainda segundo a Jucesp, a abertura de novas empresas vem crescendo em São Paulo desde maio e já soma mais de 128 mil pedidos em 2020. Para o governo paulista, os dados refletem os esforços do Estado em contornar a crise, especialmente os registros de agosto, quando entrou em vigor a medida do governo estadual de isenção da taxa para o pagamento de tarifa na abertura de novas empresas.

Entretanto, para que essas empresas obtenham sucesso e não fiquem pelo caminho, Pot diz que é preciso investir em capacitação. "Acredito que a sobrevivência dessas novas empresas vai depender de como os empreendedores se prepararem para o momento de retomada (...). Claro que prosperar é mais difícil em um cenário de crise, mas estar atento à gestão da empresa é o primeiro passo."

Negócios digitais.

Questionado se a pandemia vai transformar o empreendedorismo em tendência, o especialista afirma que serão os negócios digitais a grande herança do período. E foi exatamente neste nicho que apostou Maria Pagioro, de 62 anos, que decidiu investirem em um brechó virtual de roupas e acessórios femininos durante a crise.

"Sou dentista, formada há 40 anos. Estou aposentada, mas ainda atendo. Contudo, como sou grupo de risco, com a pandemia, fiquei em isolamento e comecei a sentir falta de trabalhar (...). Eu já pensava em ter um brechó e, em agosto, decidi abrir a empresa. Quando as coisas normalizarem, eu pretendo, por um tempo, continuar com as duas profissões, mas o meu plano é ficar só com o brechó virtual".
(Glayds Magalhães)

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