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Sala de cinema vazia por consequência da pandemia da Covid-19
Sala de cinema vazia por consequência da pandemia da Covid-19
Foto: Snw

Cinemas de SP estão prontos para reabrir

Representantes do setor reclamam de demora na reabertura, visto que academias e igrejas já estão funcionando; estimativa é que prejuízo já alcance R$ 480 milhões somente no estado de São Paulo

A notícia da semana para o setor cultural foi a reabertura das salas de cinema no Rio de Janeiro, que voltaram a funcionar na última quinta-feira (1º), depois de sete meses de portas fechadas. A novidade aumenta as esperanças de que o mesmo aconteça na outra ponta da Rodovia Presidente Dutra, ou seja, no estado de São Paulo, onde as salas aguardam o sinal verde das autoridades para retomarem os trabalhos.

“Inúmeros outros locais no estado de São Paulo, menos seguros, já estão reabertos. Respeitamos o poder público, mas acreditamos que com academias, templos, até bancos, funcionando, não faz muito sentido os cinemas continuarem fechados. As salas de cinema são muito mais seguras. Muita gente fala do ar-condicionado, por exemplo, mas no cinema, o aparelho troca o ar, é como no avião, e isso já acontecia antes da pandemia. Além disso, vamos seguir todos os protocolos de segurança e cabe ressaltar que no cinema ninguém conversa”, diz a coordenadora executiva do Petra Belas Artes, Thassia Moro.

Prejuízos e desemprego

Salas de cinema, teatros e museus foram os primeiros a fecharem as portas em março, quando a pandemia do novo coronavírus desembarcou no Brasil, e tudo indica que serão os últimos a reabrirem. Segundo estimativas da Abraplex (Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas), os prejuízos no setor já somam algo em torno de R$ 1,2 bilhão em todo o Brasil, sendo R$ 480 milhões somente no estado de São Paulo.

“O cinema é um elo de uma cadeia que começa com a produção, passa pela distribuição até a exibição. A chamada economia criativa já responde por 1,2% do PIB nacional. No estado de São Paulo há aproximadamente 1200 salas, que geram cerca de 7.200 empregos diretos. É urgente a reabertura. Se a volta não ocorrer o quanto antes, cerca de 30% das salas do Estado podem fechar”, avalia o diretor da Abraplex, Caio Silva.

Com 47 salas espalhadas pelo estado de São Paulo e detentora de 11% do mercado nacional, a rede Kinoplex reforça a urgência da retomada das atividades do setor, sobretudo em São Paulo, para evitar mais prejuízos e demissões. “Como em diversas outras indústrias, a interrupção do funcionamento dos cinemas por mais de seis meses teve um impacto devastador para os exibidores. Não há escola de administração que ensine uma empresa a sobreviver mais de seis meses de portas fechadas. No Kinoplex, até agora, com muito esforço, conseguimos passar por esse período sem desligamentos de funcionário. Mas, à medida que a abertura de São Paulo é adiada, manter a empregabilidade de equipes de cinema se torna cada vez mais difícil, pois São Paulo corresponde a aproximadamente 23,5% da receita de cinema, e sem a abertura de SP não teremos grandes lançamentos capazes de nos ajudar a nos recuperarmos”, explica a gerente nacional de marketing da rede Kinoplex, Patrícia Cotta.

Protocolos

De acordo com o Governo do Estado de São Paulo, as salas de cinemas podem iniciar a reabertura após o município onde estão localizadas registrarem 28 dias consecutivos de permanência na fase amarela do Plano SP. De acordo com o Centro de Contingência do coronavírus, os espaços, porém, devem respeitar as restrições e protocolos sanitários e funcionarem em horário restrito, durante 6 horas por dia e com ocupação de 40% da capacidade total. Caso a classificação da região retroceda para as fases laranja ou vermelha, as atividades, incluindo os cinemas, poderão ser paralisadas novamente.

Segundo a Abraplex, os cinemas do Estado já estão com todos os protocolos prontos, sendo que o setor adotou regras ainda mais rígidas do que as determinadas pelo Governo. Na rede Cinemark, por exemplo, é exigido medição de temperatura de todos os clientes antes da entrada para as salas, há vedação física das poltronas interditadas (garantindo a ocupação máxima permitida) e filas de espera virtuais para compras de bomboniére. Nas salas, as principais áreas de contato de todas as poltronas serão higienizadas manualmente nos intervalos entre cada sessão.

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Cinema uma das poucas opções de lazer da cidade (Cinemec)

Pequenas cidades também aguardam reabertura

Se a situação está difícil para as grandes redes de cinema, as pequenas exibidoras, localizadas em cidades do interior, além dos prejuízos, temem que a demora na reabertura acabe inviabilizando o negócio, fazendo com que o público se desacostume com o cinema e venha preferir o streaming.

“As coisas já eram difíceis nas cidades pequenas, sobretudo com o avanço do streaming. Quando as autoridades permitirem, nós vamos reabrir, mas tenho medo que as pessoas resistam de ir ao cinema, ainda mais se não houver lançamentos”, diz Benedito Celso Pinheiro de Quadros, 64 anos, dono de cinemas nas cidades de Ibitinga, Itápolis, Monte Alto e Taquaritinga.

Trabalhando com cinema há 20 anos, Celso conta que, pela primeira vez, está vivendo apenas da aposentadoria de perito criminal, que é consumida pelos gastos pessoais e por parte dos gatos com a manutenção das salas, que, mesmo fechadas, gira em torno de R$ 6 mil cada.

Cinema em números

• Público no ano passado: 177,7 milhões de espectadores nos cinemas brasileiros e 60 milhões nas salas paulistas

• Perda de arrecadação: R$ 1,2 bilhão em todo o Brasil, sendo R$ 480 milhões somente no estado de São Paulo

• Cidades que já reabriram o Cinema no estado de SP: Campinas, Mogi das Cruzes, Jacareí e Monte Alto.

• Capitais brasileiras que já reabriram: Manaus (AM), Fortaleza (CE), Belém (PA), Salvador (BA) e Rio de Janeiro (RJ)

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