últimas notícias
Fábrica da Ford em São Bernardo do Campo; unidade do ABC tinha mais de 50 anos, e era uma das montadoras mais antigas do Brasil
Fábrica da Ford em São Bernardo do Campo; unidade do ABC tinha mais de 50 anos, e era uma das montadoras mais antigas do Brasil
Foto: Ettore Chiereguini/Gazeta de S.Paulo

Fechamento de fábricas agrava crise nas cidades do estado de SP

Municípios do Interior e da Grande São Paulo sentem impacto com queda na arrecadação

Os efeitos causados pela pandemia do coronavírus têm sido trágico em todo o Brasil. No estado de São Paulo, além de mais de 105 mil óbitos e luto nas famílias, o rastro do vírus tem causado colapso na saúde, fechamento de empresas e automaticamente a queda na arrecadação das prefeitura – que se esforçam para driblar a crise econômica. No ano passado, ao menos cinco milhões de trabalhadores com carteira assinada foram demitidos no Estado. Boa parte dos profissionais pertenciam ao segmento industrial – um dos mais atingidos.

Para o governo estadual, uma das explicações para a alta nas demissões, pode estar ligada ao encerramento das atividades de ao menos oito das principais montadoras do País. Porém, o número de demissões pode ser ainda maior, já que só são levadas em consideração as vagas diretas e não indiretas - que são os profissionais sem registro na carteira.

No ABC Paulista, região que reúne os municípios de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, a queda na arrecadação foi de cerca de 20%. “O impacto dos desligamentos de empresas é gigante para as administrações. Além da queda brutal na arrecadação de impostos, a cadeia produtiva de um município acaba sendo rompida e gerando desempregos diretos e indiretos. Na maioria das vezes, olhamos apenas para os profissionais que atuavam dentro das empresas, e nos esquecemos daquelas que prestavam serviços nas redondezas”, disse o prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB). O chefe do executivo também é presidente do Consórcio Intermunicipal Grande ABC.

Macaque in the trees
"O impacto dos desligamentos de empresas é gigante para as administrações", diz o prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB) - Reprodução/Facebook

Em outubro de 2019, por exemplo, a Ford encerrou as suas atividades na fábrica instalada em São Bernardo do Campo. A unidade do ABC tinha mais de 50 anos, e era uma das montadoras mais antigas do Brasil. Na época, cerca de 27 mil pessoas perderam seus empregos (2,8 mil funcionários da Ford, 1,5 mil terceirizados, além de 22,5 mil de setores relacionados). “A saída da Ford chamou muita atenção por conta do nome e da grandeza, mas muitas outras empresas deixaram a região. Lamentamos, porque sempre tivemos tradição de abrigarmos grandes indústrias, mas desde a década de 1990 já começamos a perceber sinais de queda. A pandemia foi o auge. Agora, o trabalho é descobrir os novos segmentos. Temos percebido uma alta no setor de tecnologia e serviços”, complementou Serra.

Em janeiro deste ano, foi a vez da Ford anunciar o encerramento dos trabalhos nas fábricas de Taubaté, no interior de São Paulo, Camaçari (BA) e Horizonte (CE). “O setor automobilístico foi fortemente atingido, e tudo isso por não termos políticas voltadas às indústrias. Infelizmente o nosso governo estadual e federal têm visto as empresas irem embora e não esboçam reação nenhuma. As projeções não são positivas. O que temos visto são empresários quebrando e sem poder de compra”, ressaltou Renato Almeida, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos.

Macaque in the trees
Renato Almeida é vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos - Divulgação

Governo anuncia crédito para as empresas

Para boa parte dos representantes dos sindicatos do País, a falta de auxílio e políticas públicas voltada as empresas tem causado os fechamentos e demissões. “É importante analisarmos o cenário por completo e dizer que várias empresas, grandes ou pequenas, fecharam suas portas. E eu digo não só as do segmento industrial. Não temos políticas que incentivem os empresários a seguirem no nosso Estado ou País. Temos que voltar a pautar as indústrias. O cenário é ruim”, disse secretário-geral dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges.

Macaque in the trees
Moisés Selerges é secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC - Divulgação

Em março deste ano, após um ano de pandemia, o governo do Estado divulgou que iria disponibilizar pelo Desenvolve SP, mais R$ 50 milhões em crédito para capital de giro para microempresas. Além dos novos recursos, o banco beneficia clientes com empréstimos já contratados com recursos do Tesouro Estadual com a possibilidade de adiar o pagamento das prestações por três meses.

Já o governo federal disse que criou o programa Capital de Giro para Preservação de Empresas (CGPE). A linha de crédito é destinada às empresas com faturamento anual de até R$ 300 milhões.

GM retomará investimento bilionário

No começo deste ano, apesar de todo o cenário caótico, o setor industrial voltou a ter uma boa notícia. A General Motors anunciou que vai retomar o plano de investimentos de R$ 10 bilhões no Brasil, que havia sido anunciado em 2019 e ficou suspenso por causa da pandemia.

O montante será investido no estado de São Paulo, especialmente nas fábricas de São José dos Campos e de São Caetano do Sul, no ABC.

Macaque in the trees
Genaral Motors (GM) anuncia retomada de investimento bilionário para a produção de novos veículos - Divulgação

A previsão anterior era de que a planta do Vale do Paraíba recebesse até R$ 6 bilhões do investimento, mas a GM ainda não deu detalhes de como será o investimento dos recursos.

Galeria de Fotos

Comentários

Tops da Gazeta