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Cultura

Após Masp voltar atrás, curadoras aceitam retomar mostra com fotos do MST

Museu voltou atrás na semana passada após enfrentar acusações de censura por ter vetado um conjunto de fotos de André Vilaron, Edgar Kanaykõ Xakriabá e João Zinclar

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O MASP Museu de Arte de São Paulo / Rafael Neddermeyer / Fotos Públicas

As curadoras responsáveis pelo núcleo "Retomadas", da exposição "Histórias Brasileiras", do Masp, que havia sido cancelado após o museu vetar fotos do MST e de movimentos indígenas, aceitaram a proposta da instituição de retomar o projeto na mostra.

O museu voltou atrás na semana passada após enfrentar acusações de censura por ter vetado um conjunto de fotos de André Vilaron, Edgar Kanaykõ Xakriabá e João Zinclar. Propôs em nota pública às curadoras que a exposição "Histórias Brasileiras" – a maior deste ano no Masp –, mudasse a data de abertura, para que as imagens pudessem ser incluídas, e também propôs incorporar ao seu acervo as referidas imagens.

A instituição e seus funcionários negaram as acusações de censura, e alegaram repetidas vezes que o veto se deu devido às curadoras, Sandra Benites e Clarissa Diniz, terem pedido que as fotos fossem incluídas na mostra já fora do prazo. Elas afirmam que nunca foram informadas de tais prazos e que cumpriram as diretrizes do museu na produção da exposição.

Em carta encaminhada a instituição nesta quinta-feira (26), as curadoras afirmam que aceitam a proposta do museu com a permanência das fotografias de Vilaron, Xakriabá e Zinclar. Elas propõe, no entanto, mudanças na condução do núcleo, como nos direitos autorais envolvidos na mostra e na ampliação da gratuidade de entrada no museu.

Os fotógrafos não aceitaram que suas imagens sejam incorporadas ao acervo do Masp. Os três artistas propõem que a instituição, ao invés de adquirir as obras, faça impressões das fotos em tamanho de pôster e distribua o material gratuitamente para os visitantes de "Histórias Brasileiras".

Na carta, as curadoras dizem ainda ter recebido com satisfação a nota publicada pelo Masp e o gesto do museu em reconhecer suas falhas na relação com elas durante o processo de produção da mostra.

Elas também chamam a atenção para a ausência, no comunicado do museu, de uma menção ao pedido de demissão da curadora Sandra Benites, que dizem ter sido a "maior das consequências diretas" do veto ao conjunto de fotografias.

"A inexistência de uma reposta à saída da curadora – tanto na nota, quanto nas tratativas institucionais (posto que até o momento não houve retorno do Museu à sua carta de demissão) – é um alerta acerca dos apagamentos insistentemente perpetrados pelas políticas do Masp", acrescenta a carta.

ENTENDA O CASO

O Masp, principal museu do país, enfrenta uma crise após o cancelamento de um evento de lançamento de livro do Guilherme Boulos, do PSOL, e depois da decisão de duas curadoras de cancelarem um núcleo da maior mostra do ano na instituição, "Histórias Brasileiras".

Foi no começo deste mês que Sandra Benites, curadora-adjunta que acaba de pedir demissão após o caso, e Clarissa Diniz, curadora convidada da instituição, informaram que cancelariam o núcleo denominado "Retomadas". O motivo, segundo elas, foi um veto do museu a um conjunto de fotos do MST que constituiria o cerne deste núcleo.

O museu afirma ter recebido a relação desse material da curadoria com pouco menos de três meses de antecedência da abertura da mostra, prevista para julho, o que extrapola os prazos para a execução de procedimentos como a solicitação do empréstimo das fotos e a cessão do uso de imagens. Também nega que a ação seja censura de conteúdo.

Já as curadoras afirmam que não foram informadas sobre essa data máxima definida pela instituição. Num email enviado aos artistas comunicando o cancelamento do núcleo, elas disseram que "apesar do cuidadoso trabalho realizado, para a nossa surpresa, o Masp não concordou com a integral inclusão da representação das 'Retomadas' pelo suposto descumprimento de um prazo que não nos foi informado pela produção ou pela curadoria do museu".

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