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Avenida São João fechada para lazer aos domingos opõe moradores e empresários

Moradores afirmam ser irresponsável bloquear garagens em um perímetro com tantos residentes

Folhapress

Publicado em 09/12/2023 às 11:00

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A prefeitura disse que o objetivo da medida é contribuir para a requalificação e a reativação do centro histórico de São Paulo, mas não garantiu ainda sua implementação. / Reprodução/Google Street View

A ideia da gestão Ricardo Nunes (MDB) de fechar a avenida São João, no centro de São Paulo, para carros aos domingos opõe moradores e empresários da região.

Em consulta realizada em grupos de condomínios no WhatsApp na noite desta quinta (7), maioria dos votantes demonstrou descontentamento. Eles afirmam ser irresponsável bloquear garagens em um perímetro com tantos residentes.

Além disso, também duvidam da capacidade da prefeitura de garantir segurança dos transeuntes naquela zona, dominada por usuários de droga e furtadores. "A polícia já não consegue lidar com o problema. É difícil imaginar dando certo com mais gente circulando", diz o morador Charles Souza, 43.

Em nota, a gestão municipal declara que o objetivo da medida é contribuir para a requalificação e a reativação do centro histórico de São Paulo, mas não garante sua implementação. Um questionário público online será disponibilizada a cidadãos. Nela, eles poderão compartilhar experiências e expectativas para a avenida São João.

"Finalizado o prazo da consulta, a Prefeitura sistematizará todas as respostas recebidas para a avaliação das próximas etapas", completa o texto.

Já entre comerciantes, o pensamento é oposto ao dos moradores. Especialmente os instalados no largo do Paissandu, próximo ao Vale do Anhangabaú, aprovam o fechamento dominical para carros. Lá, fica a célebre Galeria do Rock, por exemplo.

Hoje, o conjunto funciona de segunda a sábado, mas alguns lojistas discutem a possibilidade de abertura aos domingos "pela oportunidade de faturar mais", relata Marcos Aquino, 47, dono de um varejo de roupas e calçados.

'Eles só pensam em dinheiro'

Sônia Antunes, 65, assustou-se ao ler nesta sexta-feira (8) sobre a inclusão da avenida São João, onde vive há três décadas, no Ruas Abertas -como o Executivo paulistano denomina o conjunto de vias fechadas aos fins de semana para lazer.

Ela teme a chegada de "mais bandidos" e ser impedida de sair de carro para visitar sua filha no Morumbi, zona oeste da cidade, seu passeio aos fins de semana.

Por volta das 13h, Sônia foi a um mercado próximo ao cruzamento com a avenida Ipiranga. Encontrou vizinhos, com os quais compartilhou sua indignação. "Isso é tudo culpa desses donos de lojas. Eles só pensam em dinheiro, a gente que sofra", disparou. Recebeu apoio.

A aposentada foi adicionada a um grupo no WhatsApp, "Juntos pela São João", por uma conhecida. Na descrição, era ressaltado que a avenida pertence aos moradores e fechá-la aos domingos seria um afronte.

Em outubro, o Ruas Abertas foi implantado em quatro vias da Liberdade, tradicional bairro oriental da região central de São Paulo. A medida funciona das 9h às 16h de domingo.

É o mesmo período pelo qual a avenida Paulista, também na região central, atualmente permanece com o asfalto disponível para pedestres. No ponto mais famoso da cidade, o bloqueio para veículos ocorre desde 2015 na ação criada pelo então prefeito Fernando Haddad (PT).

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