Baixada Santista registra quase um feminicídio por mês

Secretaria de Segurança Pública de São Paulo afirma que tem criado ferramentas para aumentar a proteção

Pesquisa aborda a violência contra as mulheres

Em discurso, Lula condenou a violência que as mulheres sofrem | Nair Bueno/DL

Praticamente uma mulher morre por mês vítima de feminicídio na Baixada Santista. Feminicídio é quando uma mulher é assassinada por discriminação, pelo simples fato de ser mulher.

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Números da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) dão conta que, na região, o Departamento de Polícia Judiciária São Paulo Interior 6 (Deinter 6), que abrange os nove municípios da região, registrou dez casos em nove meses deste ano, um a mais que em 2022.

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A Secretaria afirma que tem desenvolvido ferramentas para aumentar a proteção das mulheres e trabalha para combater os casos de violência doméstica e outros em todo o Estado. Completa que, em uma ação inédita, a polícia passou a monitorar em tempo real agressores de mulheres soltos nas audiências de custódia.

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Essa ferramenta permite que o agressor seja preso caso se aproxime novamente da casa da vítima, o que proporciona um ganho significativo na segurança da mulher frente às medidas restritivas concedidas pela Justiça que não são passíveis de fiscalização e controle. O projeto começou na capital e deve ser ampliado para todo o estado até o fim de 2024.

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FEDERAL.

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No início do mês, o presidente Luís Inácio Lula da Silva sancionou uma lei que determina que filhos de vítimas de feminicídio recebam o pagamento de pensão. A lei garante que menores de 18 anos, pertencentes a famílias de baixa renda, recebam o valor equivalente a um salário mínimo – R$ 1.320,00.

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Em seu discurso, o presidente Lula condenou as diversas formas de violência que as mulheres sofrem, principalmente o crime de feminicídio. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram registrados 1.437 feminicídios em 2022.

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ESTADO.

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O número de casos de feminicídio aumentaram 34% no primeiro semestre de 2023 no Estado, na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo levantamento já divulgado da SSP-SP. Entre janeiro e junho deste ano, foram registrados 111 casos de assassinatos de mulheres. Em 2022, foram 83.

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Os dados também mostram que foram registrados 28.117 casos de lesão corporal dolosa contra mulheres, 14% a mais do que o mesmo período em 2022. Os casos de ameaças contra mulheres também cresceram: 48.728 registros, contra 29.313 em 2022, ou seja, uma alta de 66%. Já os registros de medidas protetivas cresceram 17 % no primeiro semestre deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado.

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DDMs.

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Ainda no Estado, 11 das 140 Delegacias da Mulher (DDMs) já funcionam 24 horas. As demais atuam de segunda a sexta-feira, das 9 às 19 horas. O presidente sancionou o projeto que prevê o atendimento ininterrupto das delegacias da mulher em todo o País, incluindo domingos e feriados. O texto foi publicado no Diário Oficial.

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A lei sobre o funcionamento ininterrupto das delegacias da mulher foi proposta em 2020 pelo senador Rodrigo Cunha (União-AL) e aprovada pelo Senado no início de março.

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O Estado já divulgou que não sabe quando pretende cumprir a lei e ampliar o atendimento a todas as delegacias. Para isso, teria que contratar 2.800 novos policiais, sendo 700 delegadas, 700 escrivãs e 1.400 investigadoras.

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São Paulo foi o primeiro Estado do país a contar com uma delegacia especializada no atendimento de mulheres vítimas de violência física, moral e sexual. A primeira unidade foi criada em 1985.

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Em 2018, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aprovou projeto de lei que obrigava todas as Delegacia de Defesa Mulher (DDMs) a funcionarem 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana e feriados. O PL, entretanto, foi vetado por João Doria, governador do Estado à época.